Irineu Tolentino
Quem acompanha o Em Tese, deve ter lido o post Economia: O que está havendo com o Brasil?.
Ali, tracei um paralelo entre a corrupção e a Economia, especialmente do Brasil. Sustentei que as análises de Peter Lynch, Jim O'Neill, Richard Lapper, Nouriel Roubini e Neil Shearing, em relação ao esfriamento da economia brasileira, eram superficiais, pois baseavam-se apenas em premissas técnico-econômicas.
É claro que, de forma alguma, reduzi a importância desses analistas. Apenas discordei da conclusão a que chegaram, porque entendo que os problemas pelos quais estamos passando não têm fundo estritamente econômico. A perda de atratividade internacional em relação ao Brasil, nesta fase atual de reorganização do mundo, decorre da corrupção bastante acentuada, a qual não conseguimos controlar, punir e nem manter em níveis civilizados.
Arrisquei-me até a afirmar que "Para os investidores estrangeiros somos um país de areia movediça". Isso não é um exagero e nem uma conclusão precipitada, já que se percebe claramente uma influência negativa no desempenho econômico brasileiro por conta dos níveis elevados de corrupção e fraqueza das instituições.
Hoje, a organização Transparência Internacional, ao examinar a Europa (cuja crise também já atrelei à corrupção), declarou no relatório Corruption a pan-European problem: new report, que:
Numa tradução livre:
Tags: Economia, corrupção, política
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Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 6 junho 2012 at 13:49
Irineu, me desculpe, mas o tópico estava ótimo até quase o final. Agora, termos que combater a corrupçao por causa dos investidores estrangeiros... Édose, hem? Tenho pelo menos uma vintena de motivos mais importantes do que esse para isso.
Permalink Responder até Irineu Tolentino em 6 junho 2012 at 16:03
Tinha que ser a Anarquista....rs...
Td bem com vc?
É só meu ponto de vista, minha amiga.
Num mundo globalizado, nenhum país pode ficar indiferente aos observadores internacionais. Isso não é só por questões econômicas, mas pelo bem estar do povo que, passa pela Economia. Note que até Cuba está tentando se abrir para o mundo. A China fez isso e o Irã, mesmo sendo inimigo capital dos EUA, luta para afastar os embargos comerciais que lhe foram impostos.
Inté!
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 6 junho 2012 at 17:57
Concordo com tudo isso. Só que há motivos mais importantes para ser contra a corrupçao! E nao estou falando de motivos morais nao. Estou falando da "tomada" da instância representativa pública (que já representa tao pouco o povo) portanto do agravamento da falta de democracia que ela instala no Estado; no risco de perda do resto de nossos recursos para "privatarias"; no desvio de recursos públicos para saúde e educaçao, etc. Que assuste tb investidores, é só um a mais...
Permalink Responder até Gilberto . em 6 junho 2012 at 17:37
Irineu,
Há realmente um quê contraditório:
O combate à corrupção tem de vir de cima
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Os empresários que financiam esses esquemas devem repensar suas políticas de lobby. Ainda que não descobertas, essas irrigações de capital que estão fazendo para os corruptos está causando sérios problemas ao (permitam-me a associação) "ecossistema" das suas próprias empresas.
As questões que aí estão implicitamente colocadas são:
1. Aonde está o corrupto?
2. Quem se deixou corromper ou subornar?
Há então a afirmação que o combate à corrupção tem que vir de cima
A resposta as duas perguntas é que são dois os lados corrompidos. Aquele que pagou (para receber um favor) e aquele que recebeu o suborno. É portanto uma relação de troca onde todos os atores recebem.
Quanto a afirmativa de acabar com a prática e combate-la de cima, esqueceu-se de esclarecer que isto requer a atuação das instâncias superiores dos dois lados. Tivemos condenações e perda do cargo de funcionários do governo envolvidos com a corrupção. Porém, quantas entidades de classe patronais puniram, com expulsão dos seus quadros, empresas condenadas pela prática de corrupção?
Corruptores, fazem “lobby” e corruptos respondem a processo e perdem o cargo... Enquanto esta equação continuar com um lado mais forte ela será, de fato, uma inequação. E nesta inequação, o empresário corrupto continuará do lado maior e sempre fazendo “lobby”.
Além disto também foi exigida transparência. Pois bem, se ela não existir dos dois lados, chegamos a nova inequação. Além do empresário corrupto, continuaremos com a empresa corrupta e com a manutenção da sua forma de atuação.
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 6 junho 2012 at 17:59
Clap, clap, clap. Pedir que o combate venha de cima é pedir para a raposa proteger o galinheiro...
Permalink Responder até Irineu Tolentino em 6 junho 2012 at 23:04
Gilberto, o "tem que vir de cima" é conclusão da Transparência Internacional, não minha. Eu só citei.
Mas, de certa forma, não está errada não. Eles estão dizendo, segundo entendi, que os primeiros escalões dos governos europeus é que desviaram muito dinheiro quebrando a economia, principalmente, Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha (PIIGS)
Da minha parte, entendo que o combate à corrupção tem que ser feito em 360 graus (tem que vir de todos os lados). Sobre isso, caso você queira, confira o link http://emtese.blogspot.com.br/2012/05/papai-o-que-e-corrupcao.html É o meu ponto de vista estampado numa crôonica singela.
Grande abraço!
© 2013 Criado por Luis Nassif.