Tudo indica que o blog “Amigos do Presidente Lula” caiu numa armadilha. E por tabela, levou os outros blogueiros que acabaram ecoando na íntegra o texto. Clique no link abaixo para ler o post que, em resumo, diz que o partido “X” contratou membros do PCC para que gravassem em vídeo e áudio de telefonemas para "declarar apoio a Dilma". E o esquema teria sido desmontado por um dos membros, que denunciou tudo porque teria recebido dinheiro abaixo do combinado.
:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/09/testemunha-bom...Cheguei a esta conclusão exatamente pela total inverossimilhança do “enredo”, principalmente nestes dois trechos:
1-
“o acerto veio aquém do combinado”. Como assim?
2- "
Os bandidos recrutados também foram instruídos a fazer ligações telefônicas para diversos comparsas paa simular conversas que “comprovassem” a ligações entre o PCC e a campanha de Dilma".
É ilegal qualquer utilização de gravações do tipo sem a autorização judicial.
Não sei qual é a fonte que originou o texto. Pode até ser crível, mas certamente também pode ter sido o primeiro a morder a isca. Ao “dar perna” para o enredo absurdo (e escandalizando-o), os próprios jornalistas experientes acabaram dando corpo à “bala de prata”, que de qualquer jeito estava predestinada a entrar em horário nobre no noticiário às vésperas da eleição. Em suma: associar exaustivamente o PT ao PCC. O maior erro foi citar o nome do partido adversário do PT e da emissora de TV, o que dará legitimidade para eles “responderem” na mesma altura, ou seja, denunciar o esquema. E é exatamente isto que dará corpo à bala de prata propriamente dita.
Tente enxergar que a tal “bala de prata” está na forma invertida. Vou expor por pontos para melhorar o raciocínio:
1- Alguém (uma fonte possivelmente idônea, que foi o primeiro a morder a isca) denuncia um esquema dantesco para associar o PT ao PCC, com vídeo e áudio gravado;
2- Todos os blogueiros (os “sujos”, segundo o candidato Fulano) denunciam o esquema;
3- Todos os simpatizantes resolvem espalhar a notícia para os amigos, Twitter, sites de relacionamentos etc para deixá-los escaldados com a trama maquiavélica;
4- Fica então consagrado o “escândalo”: tem armação do partido “X” contra o PT;
5- Então está armada a bomba: “alguém do partido “X” armou com o PCC um esquema para sair no noticiário da emissora “Y”. Está tudo gravado em áudio e vídeo.
6- E eis que surge a “bala de prata” propriamente dita: os “neo-aloprados” vão atrás do tal criminoso que denunciou o esquema porque “não aceitou o acerto” e resolveu denunciar todo o esquema. E tal criminoso é exatamente a isca conscientemente plantada.
7- Por último, o mais importante: gravações do esquema, se existirem, serão exibidas no noticiário em horário nobre. Mas todos os criminosos acabarão “confessando” que, na verdade, toda a armação foi feita pelo próprio PT para incriminar o partido “X” adversário. Pronto: está feito o estrago. Une-se o “útil ao agradável” na visão da oposição: denigre o PT (que se uniu ao PCC para incriminar o partido “X”), desacredita os “blogueiros sujos” e, claro, leva-se a eleição para o segundo turno.
O melhor a fazer nessa reta final de campanha é manter a serenidade. Se existe qualquer desconfiança de grave ilegalidade, a providência primária é denunciar ou checar diretamente na polícia qualquer denúncia grave. Mesmo assim, todo cuidado é pouco: lembre-se que, em 2006 (no tal “escândalo dos aloprados”), foi um delegado de polícia da polícia federal que ajudou a “vazar” fotos com a “montanha de dinheiro” que levou as eleições para o segundo turno. Naquela época, passadas as eleições, todos os membros do PT (os “aloprados”) foram inocentados por falta de provas e até hoje não se sabe a origem do dinheiro.