Tags: 19, funcional, gráfico-visual, mercadoria, moda, música, objeto, produção, programação, revolução, Mais...século
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Permalink Responder até E' lena em 15 maio 2011 at 20:37
Albenisio
Muito estimulante o tema, parabéns pela abordagem sistematicamente articulada na propensão do objeto.
Não vou sair ressaltando partes do texto porque todo conteúdo e de grande relevância.
Pegando só um trechinho ... você disse; “tudo é designado”.
O que vivemos hoje é fruto resoluto da indústria, do poder produtivo da modernidade incorporando ao desejo ou necessidade surreal do ser humano.
Eu habituei muito do meu tempo na observação do objeto e do espaço, propriamente pela necessidade de informação profissional e muito pela empolgação do envolvimento com o belo e a com a forma.
Passei muito tempo trabalhando envolvida pelo poder de produção industrial e artística,
até liberar para o poder cultural e rever que para a instante e o bem necessário
poucos elementos são indispensáveis.
É difícil viver num tempo de muita oferta e muita informação.
Abraço /Lena
Permalink Responder até E' lena em 15 maio 2011 at 21:21
só para complementar;
eu quis dizer informação visual.
Permalink Responder até Albenisio José de Andrade Fonsec em 16 maio 2011 at 16:12
Há uma “ação visual” determinando, hoje, o isolamento e o controle da sociedade. Há também um “sentido visual” estabelecendo um tipo de crise na identidade humana consolidada sob a fragmentação. Há, ainda, uma capacidade “táctil” no olhar, cuja façanha é impossível de ser repetida pelos demais sentidos.
Em todo esse universo óptico, ou na óptica reinante, o olhar nos remete a duas instâncias: a interior (o imaginário) e a exterior (a realidade), cuja matriz comum é a vivência do espaço, como ocorre na linguagem visual das artes plásticas.
Permalink Responder até E' lena em 17 maio 2011 at 14:19
Albenísio,
Estamos no paredão do livre arbítrio, mas como optar com liberdade e consciência se vivemos a influência do meio. E tudo acontece de forma tão rápida que não temos nem tempo de associar a lógica à necessidade. Talvez porque não exista nenhuma lógica no ser humano e exista simplesmente a lógica do design do pressuposto “design”.
Outro dia numa palestra que assisti da minha associação, o assunto tratado era o comportamento do cérebro x criatividade, então o palestrante expôs um gráfico com uma pergunta. Ele em seguida expôs um quadro simulando respostas de algumas pessoas . A primeira pessoa deu a resposta que achou coerente, a segunda também deu a sua resposta, a terceira começou a ter influências das demais e as outras pelo mesmo caminho ainda que a respostas estivessem erradas. Moral da história ninguém deseja contestar o grupo.
Voltando ao objeto;
O homem é atraído pela forma, pela estética e pelos intresses do grupo. Ele futilmente se materializa , tornando ele próprio mercador de suas potencialidades e individualidades.
O universo do design apenas configura o que ele "o homem" pensa ser e pensa poder.
como você disse muito bem:
"há mil interpretações disponíveis e acessíveis até para desvendar esse real mascarado pela construção das aparências enganosas."
Permalink Responder até luzete em 16 maio 2011 at 12:50
albenísio,
ontem conversava com a cláudia sobre quão interessante é este teu tópico ao focalizar o tema do design sob a ótica da mercadoria, esta ilusão onde todos, de um modo ou de outro, uns mais, outros menos, acabam caindo.
lembro que, há muito tempo, lia alguns estudos de roland barthes sobre semiótica e ele recorria à separação entre língua/fala usando como referência a indumentária, no caso a língua, e o traje, no caso a fala. o que nele me fascinava era a abordagem sobre o caráter inconsciente da língua, não relativamente ao seu conteúdo, mas sobretudo a forma, ou seja, a sua função simbólica. e o design é isto, né? uma expressão linguística que diz muito do homem, de um homem que vive num mundo onde, como vc acentuou, tudo se tornou, se torna objeto.
o fetiche da mercadoria elevado a sua mais alta potência e a gente mera marionete de desejos que pensamos serem nossos. qual o quê!
Permalink Responder até Albenisio José de Andrade Fonsec em 16 maio 2011 at 17:40
Luzete (e Cláudia),
Grato pela leitura e reflexão. Como estipulara Dante, em A Divina Comédia, “ser percebido é mais humano que perceber”. No iluminismo – corrente filosófica do século XVIII que se caracterizava pela confiança no progresso e na razão, pelo desafio à tradição e à autoridade e pelo incentivo à liberdade de pensamento - o olhar tendia à visibilidade plena.
Já o olhar moderno configurou-se pela capacidade plena da vigilância, sob a estrutura meticulosa do “panopticon”, ultrapassado, na contemporaneidade, pelas câmeras instaladas em todos os percursos, sob a mesma égide da vigilância total. E supomos escapar ilesos, na era da telemática, dialogando, contemplativos, em touch screens ou via web cam.
A consciência do “tudo ver” dos iluministas é tornada, então, na consciência do “ser visto”, ou, o que vale dizer, passamos da clarividência à paranóia institucionalizada.
A semiologia "de Barthes", ou a parte dela que melhor se desenvolveu - a da análise das narrativas - permanece prestando serviços à história, à etnologia, à crítica dos textos, à iconologia (toda imagem é uma narrativa), à moda e sua sintaxe (formas de combinar, ordenar, por em relação). O par língua/fala é de origem saussereana (de Ferdinand Saussure), está nos primórdios da Semiologia. Com o Maio de 68, tudo mudou. E essa ciência dos signos (ou sua contraface, a semiótica) converteu-se (como diríamos de um herege) em coringa, válido para todos os saberes.
Permalink Responder até luzete em 16 maio 2011 at 23:39
nossa, albenísio, quando leio esta sua reflexão, fico encasquitada demais, ainda que seja observadora atenta deste movimento. o que quero destacar é esta passagem aqui:
"A consciência do “tudo ver” dos iluministas é tornada, então, na consciência do “ser visto”, ou, o que vale dizer, passamos da clarividência à paranóia institucionalizada."
é mesmo preocupante esta mudança do foco do olhar, não?
mas, me diga, é mesmo tão assustador? prá qual mundo novo estamos nos dirigindo e para além das profecias de huxley?
pelamordedeus, dá uma esperança prá nós, vai!
Permalink Responder até Albenisio José de Andrade Fonsec em 18 maio 2011 at 18:00
Nesse caso, Luzete, estamos mais para George Orwell e seu Big Brother (1984) que para Huxley, embora sejam, ambos, os nossos mais admiráveis paradigmas de futuro. No que tange ao apelo de esperança, ressaltaria apenas que Deus é uma invenção humana. Também está dividido. Portanto, devemos nos manter na luta por tudo que acreditamos representar.
Permalink Responder até E' lena em 18 maio 2011 at 0:13
Albenísio
Eu voltei para falar um pouco em defesa do design lembrando que o diabo não é tão feio quanto pintam. Do estímulo que move quem cria o objeto de desejo.
Vale ressaltar que quem projeta, lança, estabelece a essência estética do design, ele o criador seja em qualquer segmento, não foge aos seus compromissos sociais. Ele sabe da relevância da ética para vencer a forma e atingir ao desejado aspecto do belo. Ele segue parâmetros para chegar a plenitude da sua invenção/criação, a coisa extrapola e quando o produto sai das mãos de quem executa.
Frank Lloyd Wright , que defendia a arquitetura orgânica “acreditava que uma casa deve nascer para atender às necessidades das pessoas e do caráter do país como um organismo vivo.” Concebeu esta idéia em função de Sua convicção sobre as novas edificações “edifícios” e sobre o processo industrial em contrapartida às construções racionalistas . Ele tinha a idéia que o arquiteto era um “ modelador “ dos homens.
Eu creio que hoje a ação midiática modela os homens muito mais que do que os criadores e precursores da forma.
"Só podemos alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos."
Friedrich Nietzsche
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