Lendo certas colocações na mídia e nos blogs independentes a respeito da formação do futuro governo Dilma Roussef, percebo uma certa ansiedade da esquerda e de pessoas qualificadas que, parece-me, estão aceitando a pauta da direita derrotada.
Há toneladas de comentários e posts, em toda a blogosfera que obedecem à pauta imposta pelo PIG, o partido que perdeu as eleições para o Executivo e para as duas casas do Parlamento. A fofocagem predomina sobre os fatos. O que tem de gente interpretando o pensamento da Presidenta-eleita e do presidente Lula, é demais da conta, como dizem os mineiros.
A Folha e O Globo lançam nomes de possíveis ministros todos os dias, os partidos fazem seu lobby, o Estadão publica um editorial dizendo que não haverá novo Ministério, mas será o de Lula, etc.
É direito dos derrotados tentarem influir, conduzir o governo que será instalado daqui a 30 dias. Mas a esquerda e os democratas (sem trocadilho com DEM, por favor) não deve entrar na mesma linha de discussão.
Até agora, a Presidenta eleita escolheu quem ela quis, pessoas em que ela confia. Acaba de dar um chega-prá-lá em quem pretendia o Ministério das Comunicações. Escolheu bem. E se o escolhido for mal, seremos os primeiros a criticá-lo.
O momento nos faz recordar desta fase em 2002, entre a eleição e a posse de Lula, quando toda a mídia dizia que ele era incompetente e que jamais reuniria uma equipe capaz. Deu no que deu: um show de administração, com erros muito menores do que os acertos.
Não sou petista, mas convido os amigos de esquerda ou democratas em geral para atentarem às provocações da direita sem-voto. Eles lançam o balão de ensaio, isso vira onda na mídia cartelizada, e nós vamos atrás?
Estejamos atentos, sim, mas não ajudemos a direita a fazer o terceiro turno. Ou, como ela sonha, o vigésimo golpe.