Marighella
Objetivos das Ações de Guerrilha Urbana

O trecho do livro que irei comentar agora é bastante polêmico. Trata-se do Mini-manual do guerrilheiro urbano de Carlos Marighella. A extrema-direita freqüentemente usa trechos deste livro para mostrar o quanto eram violentas as ações armadas dos revolucionários que lutaram contra a ditadura militar no Brasil. É claro que se analisarmos tudo fora do contexto histórico qualquer ação da guerrilha não seria bem vista. No entanto, mesmo analisando-as dentro do contexto as ações dos guerrilheiros sempre serão polêmicas. Em minha opinião, a Esquerda não deve tentar esconder seu passado violento, faz parte de sua história. É preciso lembrar que aqueles homens e mulheres que pegaram em armas viviam numa época em que não havia espaço para moderados. Eles acreditavam que a única maneira de acabar com a miséria de nosso povo era através da Revolução Socialista e, se pararmos um pouco para pensar, não estavam errados. Ora, as classes dominantes brasileiras não apoiaram o golpe militar para impedir as reformas sociais moderadas de Jango?
Como diz o ex-guerrilheiro Franklin Martins não se deve olhar para aquelas pessoas com a visão de mundo de hoje. Pois eles viviam num tempo em que mercado era onde as donas de casa faziam compras e não essa entidade que muitos dizem que tem que controlar a humanidade com sua mão invisível. E massa era o povo a caminho de se encontrar com seu destino revolucionário e não uma tentação para os que estão de dieta.
9.2 Objetivos das Ações de Guerrilha Urbana
Com suas técnicas desenvolvidas e estabelecidas, o guerrilheiro urbano baseia-se em modelos de ação que o conduzem a atacar e, no Brasil, com os seguintes objetivos:
a. ameaçar o triângulo no qual os sistemas de dominação do estado brasileiro e norte-americano são mantidos no Brasil, um triângulo cujos pontos são Rio, São Paulo, e Belo Horizonte e cuja base é o eixo Rio-São Paulo, onde o gigante complexo industrial, econômico, político, cultural, militar, policial que sustenta o poder decisivo do país está localizado;
b. debilitar os guardas locais ou os sistemas de segurança da ditadura, dado o fato de que estamos atacando e os militares defendendo, o qual significa capturando as forças governamentais em posições defensivas, com suas tropas imobilizadas em defesa de todo complexo de manutenção nacional, e com seu medo onipresente de um ataque em seus centros nervosos estratégicos, e sem saber onde, como, e quando virá o ataque;
c. atacar em todos lados, com muitos grupos armados diferentes, pequenos em números, cada um independente e operando por separado, para dispersar as forças do governo em sua perseguição de uma organização extremadamente fragmentada em vez de oferecer-lhes à ditadura a oportunidade de concentrar suas forças repressivas na destruição de um sistema altamente organizado e estruturado operando em todo o pais;
d. provar sua combatividade, decisão, firmeza, determinação, e persistência no ataque contra a ditadura militar para permitir que todos os inconformes sigam nosso exemplo e lutem com táticas de guerrilha urbana. Enquanto tanto, o governo, com todos os problemas, incapaz de deter as operações da guerrilha na cidade, perderam o tempo e sofreram desgastes, o que finalmente ocasionará que retirem suas tropas para poder vigiar os bancos, industrias, armarias, barracas militares, televisão, escritórios norte-americanas, tanques de armazenamento de gás, refinarias de petróleo, barcos, aviões, portos, aeroportos, hospitais, centros de saúde, bancos de sangue, lojas, garagens, embaixadas, residências de membros proeminentes do regime, tais como ministros e generais, estações de policia, e organizações oficiais, etc.
e. aumentar os distúrbios dos guerrilheiros urbanos gradualmente em ascendência interminável de tal maneira que as tropas do governo não possam deixar a área urbana para perseguir o guerrilheiro sem arriscar abandonar a cidade, e permitir que aumente a rebelião na costa como também no interior do pais;
f. para obrigar o exército e a policia, com os comandantes e seus assistentes, a mudar a acomodação e tranqüilidade relativa das barracas e seu relativo descanso, por um estado de alarme e tensão em aumento da expectativa de ataque ou a busca de pistas que se desvanecem sem deixar traço algum;
g. para evitar batalhas abertas e combate decisivo com as forças do governo, limitando a luta a ataques rápidos e breves com resultados relâmpagos;
h. para assegurar aos guerrilheiros urbanos um máximo de liberdade de ação e movimento sem ter que evitar o uso de violência armada, permanecendo firmemente orientado até o começo da guerra de guerrilha rural e apoiando a construção de um exército revolucionário para a libertação nacional.
Muitos pensam que a guerrilha rural foi lançada somente porque o cerco repressivo da ditadura se intensificou nas cidades. No entanto, desde o início o plano era arrecadar dinheiro e armas nas cidades até que os guerrilheiros tivessem condições suficientes para lançar a guerrilha no campo onde eles imaginavam ter maiores condições de vencer o Exército e libertar o país.
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Tags: ALN, Carlos, Marighella, armada, brasileiros, comunistas, ditadura, guerrilha, guerrilheiro, luta, Mais...militar, polêmica, urbana
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Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 11 setembro 2012 at 3:25
Viva! De volta. Benvindo...
Depois
Me diz uma coisa. Se eu quiser que esse texto seja publicado no blog principal do Luis Nassif. Eu tenho que colocá-lo na íntegra nos comentários do "Clipping do dia". Aí se ele gostar ele publica. É isso?
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 20 setembro 2012 at 0:02
Creio que sim. No Clipping, ou no Fora de Pauta. Tb pode pôr no seu (= de você, nao = dele) blog no Brasilianas, se você é cadastrado lá. Ele às vezes garimpa coisas de lá.
Abs
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