Memórias de tortura são lavas de um vulcão inextinto, incandescentes,
Chamas imorredoras, que invadem, queimam todo tecido, inclementes,
Tenazes no corpo, exibido no patíbulo, preso à corda retesa do carrasco,
Corpo violentado, que balouça e sufoca no alçapão do vomito e do asco.
Os segmentos nervosos da engenharia mental não mensuram o conflito
Do corpo torturado, nem a exata dimensão matemática do agônico grito,
Em seu trajeto infinito, a ecoar nos porões sinistros das paredes da alma,
Onde os engenhos da medicina humana não pariram lenitivo a calma.
Memórias de tortura sobrevivem aos séculos e seculos, sem termo do existir,
Escritas em sangue, alinhavadas no linho de pergaminhos, a não descolorir,
Desafiando a ação do tempo, reproduzindo complicadas teias a se perpetuar,
Mesmo além da vida terrena, no esquelético espólio ainda há de chacoalhar.
Um corpo torturado, em toda aua essência, é assim como um templo consagrado,
A imagem e ao som, a memória e a dor, ao som de requiem gravado e regravado,
E não haverá leis, escritos em tempo e espaço, que possam apagar todas as marcas,
Todo o choro, o clamor e rangir de dentes, que a tortura acumulou em suas arcas.
O filisteu pernicioso, que desde os primórdios do verbo evangelho, sempre laborou,
Na intriga, zomba do prometeu acorrentado, ao cáucaso, que o filisteu sentenciou,
É que ele, o filisteu, nunca quis entender de idealismo e nunca experimentou a dor,
Pouco importa, seria um exercicio de inutilidade a compreensão de um torturador.
Melhor seguir em frente, consciência do dever, mesmo imerso na dor onipresente,
E tão somente, a história segue seu curso e sobreviverá a filistéia filosofia presente,
Ao bravo a jornada, a gloria de seguir o cortejo das memórias de tortura, a inglória,
Morde inclemente, os calcanhares do torturador, que cavalga o lixo de sua história.
12/09/12
Dr. Fernando Enéas de Souza
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