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Pra mim uma das coisas mais enigmáticas que já presenciei foi o pós abertura política em 85, 86... Onde a raiva contra esquerda era instintiva, visceral, irracional. 

Comunista era gênero (os famosos devoradores de criancinhas) e esquerdista, a espécie...

Nas eleições, entre 86 e 88, o massacre da esquerda (quem conseguia pensar independentemente) chegava às raias do pavor, da traição à sociedade (algo como se narra da Intentona Comunista). Tornava-se coisa seria mesmo.

Dai à obscuridade política como a ideia do novo, era só um passo. Intransigência total com quem se apresentava ao debate. Com ideias ou mensagens novas.

Duas únicas exceções no cenário nacional eram Montoro e Covas. Palatáveis no seu esquerdismo. E mais ainda toleráveis por sua habilidade política imensa. E sua confiabilidade (quanto desta difundida por eles próprios?) em que não virassem a mesa, chegando ao poder...

Agora chego ao ponto. Esta raiva doentia, esta fobia escusa e irracional ao debate, sempre me espantou não serem aplicáveis ao Collor... 

Tinha tudo para ser. Em 89, 90, vinha ele dos mais desconhecidos confins: o Estado de Alagoas...

O tempo que levou em ser imediatamente encampado ou mesmo até para ser reconhecido como simples absorvido pela mídia, criticamente era (e de fato foi) surpreendente... 

Ao final, a estranheza da lição histórica: não teria sido muito mais confiável um candidato talvez menos midiático? 

Dentre os defeitos do ex-presidente cassado não se pode, coerentemente, listá-lo neste: no seu uso que magistral fazia, por dentro da mídia. Dentro do que queria, usando dela, extrair desta o que quisesse...

A pergunta que fica é esta: a falta de senso crítico político da direita traiu ela própria e mesma? 

Consolidou alguém tão rápida e acriticamente... que nem viu – ou foi de fato cooptada por este alguém com tal velocidade – e que nem percebera ?

Tamanha rapidez, viu-se depois, que era espantosa a mesma velocidade em descartá-lo, em desconstruí-lo. Impiedosa – como se cúmplice não tivesse sido – claramente... 

Vítimas as duas. Criatura e criadora, de um erro que hoje pode ver-se, primevo. Ausência do exercício crítico inerente ao debate político...

Com devido pedido de licença ao erro ( este sempre agora tão mais possível ) neste exato momento, vinte e dois anos após 

Poderíamos dizer: não se trata do mesmo padrão?

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