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RESENHA DO DIA: OS SETE ENFORCADOS / LEONID ANDREIEV




Este é o principal livro do russo Leonid NikolaievitchAndreiev, conterrâneo e contemporâneo de Turguêniev: ambos são de Oriel  - a diferença é que Andreiev era bem mais novo(nasceu em 1871 e Turguêniev em 1818).

Andreiev é tido como pessimista, em virtude de abordar com muita ênfase os aspectos mais obscuros da alma humana.Seus personagens despertam a compaixão do leitor: são sempre derrotados pela vida. O autor deixava seus traumas e suas experiências frustrantes escreverem por ele:sua vida foi uma vida de misérias e privações, levando-o, inclusive, à uma tentativa não concretiza de suicídio (o salvaram a tempo), experiência que o levou a profundas reflexões a respeito da vida e da fragilidade do Homem diante de seu destino.

Mas ele não escreveu apenas dramas: paradoxalmente, escreveu, também, comédias, mas todas com fortes pinceladas de revolta e cinismo,sempre tentando chamar a atenção do leitor para o lado mais trágico e cruel da vida, denunciando o egoísmo, a impiedade, a covardia e a brutalidade humanas, aspectos tão atuais do capitalismo ...

Suas primeiras novelas foram editadas quando Liev Tolstoi já estava em pleno apogeu, que as saudou entusiasticamente e a quem dedicou o conto deste post, "Os Sete Enforcados".

Dado o seu caráter super pessimista, Andreiev ficou imortalizado na Rússia, não só pela excelência de sua obra, mas, também, na sátira maravilhosa da dupla Ilf & Petrov: no seu romance "O Bezerro de Ouro", ao falar de um ex-hotel que o regime soviético transformara em cooperativa do ramo madereiro, eles escrevem:


"num desses apartamentos , o de número cinco, deteve-se em 1911 o célebre escritor Leonid Andreiev. Todos os funcionários do 'Hércules' sabiam disso e, por alguma razão desconhecida, na repartição era má a fama destes aposentos. Todos dirigentes que neles estabeleciam seu gabinete eram necessariamente vítimas de alguma desgraça."


E mais adiante, ainda, continuam:


"E sobre a cabeça do autor da terrível obra "Os Sete Enforcados" caíam as mais pesadas acusações, como se justamente ele tivesse culpa de que o camarada Lápchin admitisse na repartição seis irmãos atletas; de que o camarada Spravtchenko permitisse que as coisas corressem por si mesmas, provocando o fracasso deste; e de que o companheiro Indochinês perdesse 7384 rublos e 3 copeques do fisco...".

Claro que Ilf e Petrov estavam brincando! Termino este post com um parágrafo extraído do site Estante de Livros, com o qual concordo plentamente:


"A obra de Andréev, uma das mais originais de toda a produção russa, explora magistralmente os recantos mais sombrios da natureza humana, chegando aos nossos dias com a grandeza e actualidade que caracterizam a melhor literatura. "

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Respostas a este tópico

Milu,

Curiosamente, acabo de reler O primeiro amor, de Ivan Turgueniev. A irresistível Zinaida, me levou a revisitar Anna Karenina. Fiquei com a impressão que ela tinha algo da Zinaida.

Sempre me acontece isto com a literatura russa, um vai levando a outro, e a outro. Acho que são os autores que mais reli. 

Se você gosta da literatura russa, acredito que vá gostar demais do Andreiev. Talvez ache relação de seus personagens com  algum outro personagem, de outro autor. Isto já me aconteceu, também, mas em relação à Aksinia, de O Don Silencioso com Anna Karenina.As duas não têm nada uma com a outra, mas a impressão ficou...

Milu,

Eu tenho este livro, nesta mesma edição da Rocco. Vai para minha pilha de prioridades assim que terminar o Tolstoi.

A não ser que a Karenina acabe me levando para outras plagas (rs)...

Aproveitando, adorei seu post sobre o alfabeto cirílico. A tipologia e tipografia também são uma paixão antiga minha.

Milu,

Ganhei de presente ontem a Nova Antologia do Conto Russo da Editora 34. Embora tenha alguns contos que tenho em outras edições, parece legal, pois pega autores até 1998. Está na pilha também...

Adorei a maior parte dos contos, com destaque para o de N.Karamzin; o do PuchkinGárchin e Platanov. São muito bons (sem contar os mais clássicos, apenas para citar os menos divulgados por aqui). Este livro vale muito a pena mesmo.

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