
Interesses privados por trás do silêncio da RBS
Deu no blog href=http://email.bol.uol.com.br/ajuda/alerta-emails-falsos.jhtm
ta...')">Jornalismo B:
Hoje
não vou falar sobre nada que eu tenha lido, ouvido ou visto nos
jornais por aí. Vou falar sobre o que eu não vejo, não ouço, não leio.
Não lembrava de ter visto na Zero Hora, por exemplo, mas, para não ser
injusta, fui ao canal de busca do site. Mas minhas impressões se
confirmaram: a informação mais recente que encontrei sobre a possível
alienação ou permuta do terreno da Fundação de Atendimento
Sócio-Educativo (Fase), que pertence ao estado do Rio Grande do Sul, é
datada do dia 11 de março. E tem míseros dois parágrafos. Antes dessa,
uma notinha de iguais dois parágrafos do dia 23 de fevereiro, louvando a
iniciativa do governo Yeda.
O projeto de lei 388, que autoriza a
alienação ou permuta de um terreno de 74 hectares localizado na
avenida Padre Cacique, quase em frente ao estádio Beira-Rio ou seja,
extremamente bem localizado, principalmente se considerarmos a iminência
de uma Copa do Mundo -, com um vasto patrimônio ambiental e histórico,
seria votado hoje [23/3], caso tivesse havido quórum, na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do RS.
Além
do patrimônio riquíssimo que o governo quer entregar para a iniciativa
privada, o terreno tem também pelo menos 10 mil pessoas que moram ali e
não estão sendo ouvidas. A ideia é trocar o terreno por outros
menores, com o suposto objetivo de descentralizar a Fase, mas não há
planejamento para isso, e a imprensa se cala. Mais informações sobre o
caso nos [blogs] Somos Andando e RS Urgente, e no [diário] Jornal do
Comércio.
É possível que o governo entregue a última área que
ainda conserva vegetação típica de Porto Alegre para construtoras, mas a
mídia não diz. Sei que a Band cobriu alguma coisa na rádio. Sei que o
Marcelo Noah está se esforçando na Ipanema para fazer alguma
divulgação. Fora isso, silêncio (peço perdão se faltou citar alguém,
mas não dou conta de rastrear toda a cobertura da imprensa, sei apenas
que foram pouquíssimos os que noticiaram).
A explicação óbvia
seria por si só bem plausível diante do que estamos acostumados a ver
na imprensa: interessa mais valorizar a iniciativa privada nos meios de
comunicação. Não interessa o que pode ser bom para a população. Ainda
mais se quem tiver proposto o projeto for um governo amigo. É sempre
bom preservar esse tipo de amizade. Amizades poderosas.
Mas a
coisa vai mais longe: os Sirotsky, a quem pertence o maior, quase
único, grupo de comunicação do Rio Grande do Sul, a RBS (conhecido por
alguns como PRBS, por conta de suas características de partido político
nas atitudes que toma), são também donos de uma empresa chamada
Maiojama (uma mistura breguíssima dos nomes MAurício; IOne, mulher de
Maurício; JAyme; e MArlene, mulher de Jayme). A Maiojama é uma
construtora, ou melhor, como diz em seu site, atua no planejamento e
desenvolvimento de edificações residenciais, comerciais, flats e
shopping centers.
Agora peço um esforço mínimo de dedução
lógica dos leitores: o governo do estado quer entregar um terreno por
um valor muito abaixo do de mercado; o terreno é gigante, muito bem
localizado, num dos pontos atualmente mais disputados de Porto Alegre;
seria perfeito, do ponto de vista empresarial, para construir um grande
complexo, que poderia envolver dúzias de torres de apartamentos,
comércio, shopping, mil coisas; quem faria isso seria uma construtora;
os Sirotsky têm uma construtora; os Sirotsky têm um grupo de
comunicação; o grupo de comunicação se cala diante de um empreendimento
que pode prejudicar a população. Logo, há um grande interesse por trás
que orienta o silêncio absolutamente antiético da empresa de
comunicação.
A ética jornalística manda colocar o cidadão em
primeiro lugar e não se deixar corromper. Os interesses privados não
podem transpor os coletivos. Ou seja, a RBS adota uma postura
nitidamente, escancaradamente, maldosamente antiética.
* Peço aos blogueiros que ajudem a divulgar
o roubo que está sendo tramado ao patrimônio público. Diante do
silêncio da grande imprensa, nós temos a obrigação de nos unir e lutar
pelos interesses da cidade.
Artigo da jornalista Cris Rodrigues.
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Permalink Responder até Rogério Maestri em 29 março 2010 at 1:46
Permalink Responder até Marise em 29 março 2010 at 14:23
Permalink Responder até Rogério Maestri em 29 março 2010 at 15:00
Permalink Responder até Marise em 29 março 2010 at 17:22
Permalink Responder até joao guilherme de oliveira neto em 29 março 2010 at 16:55
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