o casamento de meus sonhos
O casamento de meus sonhos
José Cleves
Gostaria muito de ver no altar a união dos direitos humanos com direitos trabalhistas. Seria um casamento perfeito: a estrutura sindical moderna compromissada com a vida extra-trabalho do cidadão.
Neoliberal e umbilicalmente vinculado ao governo, via-Ministério do Trabalho, a atual estrutura sindical mal dá conta de fiscalizar patrões, mas poderia ampliar a sua atuação ao adotar uma diretoria de Direitos Humanos, algo que vá além da relação de trabalho.
Vejo isso da seguinte forma: se um operário é injustiçado pelo patrão, ele recorre ao Sindicato, mas e quando é preso injustamente ou sofre qualquer tipo de opressão fora do trabalho, recorre a quem?
Não que as comissões de direitos humanos vigentes são ruins. Questão é que são poucas. Eu particularmente não posso reclamar delas. Quando precisei, fui muito bem atendido, tanto pela CDH da Assembléia Legislativa de MG quanto à da Câmara Federal.
Também não posso reclamar do Sindicato, que comprou a minha briga contra a polícia e deu conta do recado. Reclamo apenas da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Governo do Estado, que à ocasião, ignoraram um manifesto em defesa de meus direitos encabeçado pelo meu amigo Dídimo Paiva – eterno defensor da ética, dos Direitos Humanos e da classe trabalhadora – e pela presidenta do SJPMG, Dinorah do Carmo.
No lixo
Não me fez falta a descompostura do então governador de MG, Itamar Franco, e da diretoria da Fenaj, que simplesmente jogaram o manifesto do Didimo no lixo.
Felizmente não precisei mais deles. Foram inúteis. Bom, mas se fui bem atendido pelo sindicato e pelos parlamentares, vou reclamar de quê?
A questão é que sou jornalista. É diferente. Não sou um operário da construção civil. Além do mais, meu caso envolvia liberdade de expressão. Coisa de alto nível na nossa categoria, mas pouco valorizada para os demais trabalhadores.
Por isso gostaria de testemunhar esse casamento do sindicato com os direitos humanos. Apanhou injustamente, foi perseguido, teve seus direitos constitucionais ofendidos, procure o sindicato. Logo, um representante da categoria estará na porta da cadeia, do hospital, na prefeitura, etc., pronto para atender a reclamação procedente.
Aos críticos de plantão que questionarem a falta de estrutura sindical para atender a demanda de injustiçados, eu diria que basta ao governo acabar com a unicidade sindical. Para cada grande empresa, um sindicato, uma comissão de DH, um operário com todos os seus direitos garantidos dentro ou fora do trabalho, menos injustiças, mais produção, mais democracia, mais progresso, mais dignidade, mais trabalhadores.
Blog de Jose cleves da silva
José Cleves
Boa parte da imprensa está botando fogo num debate perigoso para o Brasil e injusto para as nossas crianças e os jovens: o de que é preciso reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, como forma de se combater o elevado índice de criminalidade urbana no País.
O pavio foi aceso pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que desembarcou em Brasília com a receita da pólvora na mão para implodir o “dragão do crime” que assola a capital paulista e o resto…
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Postado em 14 maio 2013 às 3:00
José Cleves
Essa vida de repórter que vira notícia está me deixando cada dia mais decepcionado com a nossa classe. Toda vez que sou personagem central de um fato de maior repercussão, acordo contrariado e envergonhado com o noticiário a respeito do assunto.
Agora mesmo, fui ouvido como testemunha no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, Bola, réu acusado de ter matado em 2010 a ex-amante do goleiro Bruno, Eliza Samúdio, e o resultado da notícia a respeito do…
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Postado em 27 abril 2013 às 17:30 — 1 Comentário
José Cleves
Mesmo produzido por pensadores na redação, o jornalismo brasileiro virou escravo de resultado comandado pelo raciocínio lógico dos números que balizam os interesses no País.
Pode-se dizer que vivemos hoje em um mundo de notícias R$ 1,99, se levarmos em conta o besteirol televisivo e as futilidades do conteúdo online da imprensa virtual, em detrimento do jornalismo de alta qualidade.
A notícia que não dá…
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Postado em 25 março 2013 às 23:39
José Cleves
Muito boa a reportagem da Folha de S. Paulo sobre os arquivos da ditadura retidos pelo governo. Mandou bem o jornal ao tentar revelar os segredos dos milicos, parte deles ainda enterrado em cova rasa. Aliás, o acordo feito pelos militares com os civis para entregar o poder, em 1985, incluía exatamente a guarda, por um período não definido (ad eternum, imagino), dos arquivos da repressão com os carimbos ultra-secreto, secreto, sigilosos,…
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Postado em 5 março 2013 às 2:30