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“Luar do Sertão” (toada), Catulo da Paixão Cearense, 1914.


A toada “Luar do Sertão” é um dos maiores sucessos de nossa música popular de todos os tempos. Fácil de cantar está na memória de cada brasileiro, até dos que não se interessam por música. Como a maioria das canções que fazem apologia da vida campestre, encanta principalmente pela ingenuidade dos versos e simplicidade da melodia.

Embora tenha defendido com veemência pela vida afora sua condição de autor único de “Luar do Sertão”, Catulo da Paixão Cearense deve ser apenas o autor da letra. A melodia seria de João Pernambuco ou, mais provavelmente, de um anônimo, tratando-se assim de um tema folclórico – o côco “É do Maitá” ou “Meu Engenho é do Humaitá” -, recolhido e modificado pelo violonista. Este côco integrava seu repertório e teria sido por ele transmitido a Catulo, como tantos outros temas.

Pelo menos isso é o que se deduz dos depoimentos de personalidades como Heitor Villa-Lobos, Mozart de Araújo, Sílvio Salema e Benjamin de Oliveira, publicados por Almirante no livro “No tempo de Noel Rosa”.

Há ainda a favor a versão do aproveitamento do tema popular, uma declaração do próprio Catulo (em entrevista a Joel Silveira) que diz: “Compus o ‘Luar do Sertão’ ouvindo uma melodia antiga (...) cujo estribilho era assim: ‘É do Maitá’! É do Maitá’”.

A propósito, conta o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque) que teve a oportunidade de ouvir “Luperce Miranda tocar ao bandolim duas versões do ‘É do Maitá’: a original e ‘outra modificada por João Pernambuco’, esta realmente muito parecida com ‘Luar do Sertão’”.

Homem humilde, quase analfabeto, sem muita noção do que representavam os direitos de uma música célebre, João Pernambuco teve dois defensores ilustres – Heitor Villa-Lobos e Henrique Foreis Domingues, o Almirante – que, se não conseguiram o reconhecimento judicial de sua condição de autor de “Luar do Sertão”, pelo menos deram credibilidade à reivindicação. Ainda do mesmo Almirante foi a iniciativa de tornar o “Luar do Sertão” prefixo musical da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a partir de 1939.



"Luar do Sertão", com Eduardo das Neves. Discos Odeon, 1914.




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FONTES
1) Livro




A Canção no Tempo: 85 anos de músicas brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1977.



2) DISCO Odeon, 1914. (Acervo do Instituto Moreira Salles).

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Exibições: 27

Tags: a canção no tempo

Comentário de Anarquista Lúcida em 26 setembro 2009 às 2:45
Belo tópico!
Comentário de Laura Macedo em 26 setembro 2009 às 22:06
Ana Lu,
Tava saudosa de "ocê".
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 26 setembro 2009 às 22:13
Que ótima contribuição você nos traz, Simone.
Acompanho e curto bastante o trabalho do Jorge Mello, no site Sovaco de Cobra.
Beijos "catulianos" :)))))

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