Estranho é um país dizer-se aberto ao diálogo, mas a mesa, servir atitudes reacionárias. Estranho é alguém se sentir no direito de avaliar, dar nota, corrigir, impungir, constranger, sancionar, invadir, guerrear outro tendo sob a armadura, perto do coração, o discurso das liberdades.
Como fazer isso? Há de se ter muita presunção e muita arrogância; ou seria muito poder bélico e muito dinheiro? No mundo atual (sou de hoje), a verdade sempre é um reflexo invertido da realidade.
Mestre Galeano sempre alerta a respeito dessa ética, a nossa ética, a ética do mundo, cujo eixo principal é luta pelo poder (ou manter-se nele). Suas ferramentas (a própria ética agora e o capital assim também) funcionam como base e força para de mantê-lo onde por origem e finalidade está ou deseja estar: o status quo – sempre.
No Brasil a Direita chora a 8 anos o leite derramado. Como a maestria “esquerdiana” desencantou, vê-se a olho cru que a primeira se perdeu. Está sem projeto – atualmente o único é transformar um príncipe em sapo
(careca, não barbudo), uma anedota bem brasilense regada a esquecidas ironias.
Vai o Brasil e dialoga, chegam os ianques e atropelam. E trazem debaixo de seus sorrisos samescos o triunfo do sistema que idolatram capitalmente: a “liberdade”. Mas não lembram nunca (enxergue você as entrelinhas) que somos todos livres para fazermos o que eles querem, comer o que eles nos oferecem, pagar as dívidas que eles “provam” sermos merecedores.
Mas outra coisa me salta aos olhos lendo este artigo. Ao verificar a mídia nacional, eu me pergunto se ela não estará na lista do Obama. Se, segundo o Herzog Filho, na interpretação deles nós já temos uma mídia parcialmente livre”, imagina como ficaremos após lerem uma manchete qualquer da Folha ou do
O Globo desses dias?
“Nosso Guia” barbudo vai e vence, dá voz a 192 milhões de brasileiros (ou 160 milhões, pois teríamos os “10% de ricos” que estariam “infelizes”?) e “nossa mídia” não pára de bombardear? Enquanto os ianques traçam a política do mundo (essa “lei” é um exemplo), aqui todos continuam na cartilha neoliberal, ou seja, abrem as pernas para as potências (e que potências! São até mundiais...) e ridicularizam alguém com coragem para dialogar, para trazer mudança. É Lulinha, seu legado virá no tempo, será o do futuro...
Mas graças a Tim Berners-Lee que podemos todos nos reunir em locais como esse portal na busca pela real informação. Hoje é dádiva, afinal os índices de acesso a rede pela população ainda é baixo. No futuro, no entanto, trabalhemos para que esse acesso (à informação de qualidade) seja real, não mais
uma outra anedota classista e excludente. Afinal, isso sim seria estranho.
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