" o PCB não se tornou o maior partido do Ocidente nem mesmo do Brasil
Mas quem contar a história de nosso povo e seus heróis tem que falar dele.
Ou estará mentindo "
Ferreira Gullar
Lançamento e debate no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro
Na próxima terça-feira, dia 10 de julho, será lançado no Teatro Oi Casa Grande, no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, às 19h30, o livro O PCB-PPS e a Cultura Brasileira: Apontamentos, do historiador carioca Ivan Alves Filho. A iniciativa é da Fundação Astrojildo Pereira, que editou a obra.
Como se sabe, a política vem estimulando a cultura e mesmo a reflexão filosófica mais profunda, desde pelo menos a Revolução Francesa, para nos atermos ao início da chamada modernidade. Não foram poucas as obras literárias e artísticas escritas no chamado calor da luta. Naturalmente, a atividade cultural não se reduz a essa ou aquela ideologia, mas ela tampouco pode ser desligada do seu contexto histórico.
No Brasil, não seria muito diferente. Afinal, este é o país das sínteses, a terra da pluralidade, o que envolve ainda a cultura, uma prática fundamentalmente agregadora e inclusiva. Assim, temos o tradicional e o moderno reunidos por ela. A reflexão e a ação também. A junção do erudito com o popular. E ainda a fusão de experiências e representações dos mais diversos horizontes, senão continentes. Todas essas características, muitas vezes entrelaçadas, contribuíram para forjar a cultura brasileira, tal qual nós a conhecemos hoje.
Um partido político - O PCB, nascido há exatamente 90 anos e do qual se originaria o PPS - entendeu a importância da cultura no processo de aproximação dos comunistas com as massas populares. Até porque, muito perseguido ao longo da nossa conturbada história republicana, o partido não tinha, por momentos, como se apresentar com rosto próprio à sociedade brasileira. Os intelectuais e os artistas faziam isso por ele. Chegavam aonde o partido não podia chegar. E, como não é possível colocar toda uma cultura na cadeia, a estratégia foi dando certo...
Nomes do peso de Oscar Niemeyer, Jorge Amado, Ferreira Gullar, Djanira, Portinari, Rachel de Queirós, Di Cavalcanti, Solano Trindade, Nelson Werneck Sodré, Caio Prado Júnior, Plínio Marcos, Joel Rufino dos Santos, Dias Gomes, João Saldanha, Darcy Ribeiro, Luiz Werneck Vianna, Mércio Pereira Gomes, Mário Lago, João Batista de Andrade, Vladimir Carvalho, Mário Schemberg, Luiz Hildebrando Pereira da Silva, Edison Carneiro, Astrojildo Pereira, Oswald de Andrade e Pagu, entre tantos outros, pertenceram ao mais antigo partido surgido no Brasil. Eis o que transformou o PCB-PPS em uma espécie de partido da inteligência brasileira, criando jornais, companhias de teatro e cinema, fomentando revistas, inaugurando cine-clubes, organizando seminários pelo país afora, durante décadas a fio. Como a importância da cultura só faz crescer, nesses tempos de capitalismo cognitivo - onde o conhecimento assume o papel de verdadeiro meio de produção, eis o que torna a leitura deste livro ainda mais atual e atraente.
10 de julho 19h30 Teatro Oi Casa GrandeAvenida Afrânio Melo Franco, 290 - Leblon.
" Nas artes plásticas, Rubens Gerchman, um nome de peso colabora com o Partido. Maurício Seidl, fotógrafo reconhecido no Brasil e fora dele, faz o mesmo. Delcio Marinho Gonçalves, diretor de teatro carioca e
sobrinho-neto de ASTROJILDO PEREIRA,
retoma suas ligações com a Frente Cultural Partidária " ( pág 100 )
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