Na Folha de São Paulo de domingo vemos a notícia: relatório da ABIN sobre bóias encontradas no mar do Maranhão, nas praias em volta do CLA - Centro de Lançamentos de Alcântara.
II
É lá que o Brasil faz exercícios de lançamento de foguetes, e onde houve a “Tragédia de Alcântara”. Foram 21 mortos no incêndio do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites), no ano de 2003. Lá o Brasil testa sua tecnologia, é mais uma das portas da nossa entrada no grupo dos países desenvolvidos. E testa essa tecnologia com todos os cortes de orçamento possíveis.
III
E foi lá em Alcântara, agora, que foram encontradas boias com equipamentos de telemetria (captação, envio e processamento de dados à distância). É a TERCEIRA VEZ que são encontradas essas boias, de fabricação espanhola e japonesa, acionáveis por controle remoto via satélite. O equipamento permitiria “prejudicar os lançamentos da base e colocar em risco a execução de operações de rasterio de veículos espaciais estrangeiros”.
IV
O relatório da ABIN, segundo, sempre, a Folha, afirma que o local não é rota de navios e que as boias não são encontradas em outras praias próximas. Estão apenas em volta do CLA.
V
É uma questão grave. Essas notícias raramente são publicadas. Na Folha, saíram na página “Ciência”. Inequivocamente é material de espionagem, e provavelmente é material que se presta também à sabotagem. Uma cidade absolutamente pequena, no tamanho de Alcântara, tem um impressionante “turismo estrangeiro”. Não raro, há 140 estrangeiros em um só dia. Isso já foi objeto de análise pelo Grupo de Trabalho da Amazônia.
VI
Duas questões precisam ser tocadas: a primeira, a necessidade de submarinos nucleares para a patrulha do nosso mar territorial, o que, parece, está bem encaminhado. A segunda questão diz respeito à ABIN, ou seja, à extrema utilidade daquela agência para o Brasil. A ABIN, no entanto, encontra-se sob ataque da imprensa. Não raro, pretende a imprensa que todos os gastos da Abin sejam divulgados, o que é de um ridículo absoluto. Contra a espionagem e a sabotagem estrangeiras, a ampla divulgação de qualquer gasto da ABIN
VI
Foi divulgado, também, que entre 2006 e 2008 o Brasil lançou o foguete VSB-30. O chamado módulo útil pousou no mar, conforme previsto. Só que nunca mais foi encontrado. Essas boias, agora, talvez possam ajudar a esclarecer a morte daqueles 21 brasileiros quando da explosão do foguete. E servem de alerta aos que acham que assuntos de segurança nacional são coisa de paranóicos.
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