Há até pouco tempo atrás, a guerra dos lobistas pelo mercado de TV paga no Brasil estava restrita aos bastidores do Congresso Nacional. Mas com a aprovação do PL 29 na Câmara dos Deputados, o tema vem ganhando destaque nos telejornais da Band e da Record e agora tenta envolver a opinião pública.
No dia 17 de junho, o Jornal da Record apresentou uma matéria favorável a iniciativa do Governo em abrir a oferta de operadoras de TV paga. O texto focava a possibilidade de queda nos preços das assinaturas dos
pacotes. Atacava diretamente as duas principais operadoras de TV paga: a Net e a Sky. A reportagem afirma que as duas empresas são campeãs em reclamações no serviço de atendimento ao setor da Anatel e ainda chama a atenção para a cota de programas nacionais que as operadoras serão
obrigadas a cumprir.
Já o Jornal da Band entrou com tudo na briga. Apresentou duas
reportagens nos dias 19 e 20 de julho. O principal ataque é na arrecadação de impostos. A reportagem afirma que os brasileiros serão lesados caso a medida seja colocada em prática. Afirma que o governo quer beneficiar as Teles e trás uma preocupação de que o setor fique sobrecarregado com muitas operadoras. Em nenhum momento, a reportagem da Band trata do assunto das cotas de produção nacional e nem sobre a possibilidade da redução no preço da mensalidade.
A Anatel publicou nota rebatendo as acusações do Jornal da Band.
Informou que os consumidores e a sociedade serão beneficiados pela medida. Citou que a decisão deve ampliar a competição no mercado de TV
por assinatura, gerar uma maior arrecadação de tributos, criar empregos, reduzir as desigualdades regionais, ampliar a infraestrutura de suporte à banda larga e incentivar a indústria de entretenimento.
Sobre o interesse das operadoras de telefonia, a nota de esclarecimento rebate: “Importante deixar claro que a decisão da Anatel não tratou da entrada de concessionárias de telefonia no mercado de TV a Cabo, tema
que se mantém regido pela legislação e pelos contratos vigentes e que têm sido objeto de debate no Congresso Nacional, cabendo à Anatel regular o setor de telecomunicações nos estritos termos constitucionais e legais.” (Fonte IDG Now).
O interessante neste caso é tentar compreender a posição de cada uma das emissoras. A Record apóia o projeto, enquanto a Band e totalmente contra. Qual o interesse de cada uma delas nesta questão?
Alguém arrisca um palpite?
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