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Custódio Mesquita - Um arrumadinho no bom samba.




Postado originalmente no: http://klaxonsbc.wordpress.com/2009/04/20/custodio-mesquita-um-arrumadinho-no-bom-samba/




Alguns artíficies do que se pode chamar moderna música popular brasileira são incansavelmente propagandeados por todas as mídias. Não acho que isso supervalorize ou mesmo desvalorize alguem, mas que cansa, cansa.

Outros tantos, são apenas citados em publicações especializadas, quando o são. Fala- se bastante da era de ouro da música brasileira (décadas de 30 e 40 do século passado), mas é bem raro se entrar em pormenores. Um exemplo desses é o carioca Custódio de Mesquita Pinheiro.

De família rica e boa pinta, nascido e criado nas Laranjeiras, Mesquita se notabilizou por suas canções em parcerias: Mario Lago, Evaldo Rui, Hervê Cordovil, Noel Rosa... e pelo esmero com que tocava piano e bateria. Sua vida, pelo fato de suaextrema discrição, é recheada de histórias obscuras e teses controversas. Boêmio e relaxado nos estudos, achou na música guarida e campo fertil para exercitar seu talento.

Formou-se regente pelo Instituto Nacional de Músic,a apesar de já ter composto sambas, fox e marchinhas antes disso, e não deixou de andar com sambistas e com o pessoal de teatro. Esse transito entre o popular e o erudito, deu-lhe munição para misturar harmônias sofisticadas com letras populares e ritmos diversos. Sem maiores delongas, suas canções provam isso.

Compôs musicas que ficaram bem conhecidas como Nada Além com Mario Lago (na voz de Orlando Silva):

Nada além
Nada além de uma ilusão
Chega bem
Que é demais para o meu coração
Acreditando
Em tudo que o amor mentindo sempre diz

Mulher com Sady Cabral, que seria gravada, nos anos 70, por Nara Leão:

O teu amor
Tem um gosto amargo
E eu fico sempre a chorar essa dor
Por teu amor
Por teu amor,
Mulher...
O primeiro sucesso de Custódio, letra e melodia do próprio, foi lançado no carnaval de 1934, Se a lua contasse:
Tudo que vê
De mim e de você
Muito teria o que contar
Contaria que nos viu brigando
E viu você chorando
Me pedindo pra voltar
Saia do Caminho, com Evaldo Rui, gravada por muita gente:
Junte tudo que é seu, seu amor, seus trapinhos
Junte tudo o que é seu e saia do meu caminho
Nada tenho de meu
Mas prefiro viver sozinho
Nosso amor já morreu
E a saudade se existe é minha
Fiz até um projeto, no futuro, um dia


Custódio faleceu em 1945, aos 34 anos, a carreira foi abortada, bem provável que viriam mais e mais do que suas cento e trinta e três composições.
Para saberem mais sobre a vida de Custódio Mesquita, procurem o livro Prazer em Conhecê-lo - A vida de Custódio Mesquita - Bruno Gomes Ferreira, Editora Funarte, 1986.

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