Um caso concreto: “...em meados da década de 1970, o Presidente Jimmy Carter desvalorizou o dólar de 250 para 180 ienes. Ele agiu assim no intuito de promover as exportações americanas e dessa forma criar empregos – a taxa de desemprego nos EUA estava alta e não parava de subir. Com isso, o Presidente Carter conseguiu um aumento recorde das exportações, mas não uma redução do desemprego. Pelo contrário, a taxa de desemprego continuou aumentando a despeito do tremendo crescimento das exportações. Isso é algo que nenhum economista poderia ter previsto e que nenhum economista é capaz de explicar. E algo ainda mais inexplicável aconteceu: durante esse período de rápido aumento de desemprego, quando logicamente deveria ter havido uma deflação dos preços, insinuou-se na economia uma perigosa inflação, cujos picos atingiram 12 a 14 por cento ao ano” (Peter Drucker, As Novas Realidades, 1991, p.133).
Importo o extrato acima apenas para trazer à baila o fato de que é muito difícil definir os rumos da economia. Nenhum analista ou economista pode fazê-lo com segurança. Nem Noriel Roubini – com todo o respeito que ele merece – pode dizer, com segurança, o que acontecerá nos próximos meses. Até tenho pra mim que o acerto da sua previsão sobre a recente e mal curada crise americana foi acidental. Não podia haver certeza da parte dele pois sequer se conhecia a profundidade dos problemas que emergiram em 2007/2008. Faltavam variáveis para embasar o seu estudo, até porque ninguém as tinha.
A propósito, merece registro o fato de que não existem crises iguais. Logo, não pode haver soluções iguais para casos diferentes (isso é questão de Lógica, não de Economia). E se não pode haver soluções iguais, todo exame que se faz daquelas apresentadas será sempre um caso único. Decorre daí que, a probabilidade de erro e acerto das previsões que se faz da economia é praticamente a mesma.
Note-se, por exemplo, a recente declaração do porta-voz do Governo da Hungria - na última sexta-feira (04/06/2010) - no sentido de que eles não descartam um default . Ora, malgrado os problemas da inflação na China e da crise geral do Euro, falava-se de forma mais acentuada apenas dos problemas do PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Spain). A Hungria nem era mencionada. E, enquanto a Grécia, mesmo sob forte investigação, evitava a todo custo falar das suas dificuldades financeiras, vem a Hungria (situada no coração da Zona do Euro) e simplesmente declara que “não descarta um default”. Seria natural que, logo em seguida, ela tentasse “corrigir a besteira” (fico imaginando a pressão que ela sofreu das autoridades européias. Onde já se viu dizer a verdade sobre a economia de um país em crise! Vocês estão loucos?).
Pois é! Para nós, isso evidencia claramente, e mais uma vez, a gravidade do cenário econômico. Mas, infelizmente, só podemos afirmar isso com base em “indícios” pinçados nos noticiários, pois nenhum mortal tem acesso aos dados reais da economia de qualquer país-membro da UE ou dos Estados Unidos. Aliás, nem do Brasil temos os dados precisos.
Roubini afirmou, textualmente, que “a Grécia é apenas a ponta do iceberg”. Ora, disso decorre que não sabemos mesmo é de nada. O essencial está submerso nas profundezas da Zona do Euro, e, na medida em que as coisas vão sendo reveladas (por não dar mais para serem escondidas), vamos reavaliando as “teorias”, haja vista que, sem variáveis consistentes, é extremamente difícil calcular o futuro.
Diante dessa situação, ao invés de espiolharmos números mal divulgados, parece-nos mais salutar seguir a orientação de Maquiavel “(...)parece-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar...”.
Olhando para o mundo, procurando o efeito das coisas, vê-se uma economia mundial capenga, em movimento lateral, sinalizando forte insegurança, parecendo querer nos dizer para nos manter afastados da bolsa nos próximos meses.
Portanto, sem mudar de opinião, ainda creio no aprofundamento da crise com a hipótese de o Ibovespa - o termômetro da economia - ir para os 50.000 pontos. Zona essa que consideramos como de reflexão, não de entrada automática.
É óbvio que essa minha “previsão” pode passar ao largo do que realmente acontecerá, mas, tenho por princípio que, em economia e negócios, na dúvida, pense no pior.
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