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Em homenagem à Semana Internacional da Mulher, escrevi este comentário analisando o choque da cultura da mulher indígena, o uso da “gramática” e o seu significado para os Jesuítas e a indagação: Se não seria materialismo exagerado e tortura exigir a virgindade apenas da mulher, numa sociedade hipócrita, que exalta a Falocracia, o Patriarcado e leis civis e penais ultrapassadas que protegem o macho latino?
Desde a violência verbal, o desprezo, marcas das agressões psicológicas e físicas e até o extremo de tirar a vida de uma mulher, pela “honra”, deixo este texto, como um torpedo de repúdio aos fariseus, oportunistas covardes, falsos profetas moralistas, entre outras criaturas medonhas.



Não faz muito tempo, apareceu um estudo em que o fim dos matriarcados e o começo da falocracia, que até hoje domina o mundo, teria coincidido com a criação do alfabeto e, podemos relembrar a catequese dos jesuítas. Em suas cartas, eram frequentes as referências à dificuldade que certos padres tinham com a gramática no seu trabalho de catequese, nas missões. Frequente e obscura – não se sabia se a dificuldade tão citada era com a gramática que os próprios padres ensinavam ou com a gramática dos nativos. Até descobrirem que “gramática”, na verdade, era um código para castidade. O problema de alguns padres era manter seus votos de abstinência em meio aos índios. Ou no caso, às índias.
Conscientemente ou não, o código foi bem escolhido. Pecar contra a gramática é um pouco pecar contra a castidade, se aceitarmos que a correção gramatical é uma norma de boa conduta, e as regras de língua equivalem a parâmetros morais.
Todo o nosso drama milenar foi resumido numa pequena ação: Yoko Ono seduzindo John Lennon e desfazendo uma idílica ordem fraternal, quase destruindo um mundo. E o que é a supervalorização da virgindade e a estigmatização civil do adultério, como constam da lei brasileira, senão uma tentativa de garantir que a mulher só descubra o tamanho do pênis do marido quando não pode fazer mais nada a respeito? Continuamos vivendo na aparência hipócrita do “lacre” da virgem santa ou dos “tapa-sexo” dos primatas, que comentei em outra crônica. Numa sociedade que cria os homens carentes, infelizes, materialistas e machistas, de preconceitos fixos, sedimentou-se um patriarcado no planeta, o dos pobres, macacos vazios e imitadores exibidos.
A virgindade, independente das teorias, é um tema para muitas divagações. Ninguém, que eu saiba, ainda examinou a fundo, sem trocadilho, todas as implicações do hímen, inclusive filosóficas. Já vi o hímen – que salvo grossa desinformação anatômica, não tem qualquer outra função biológica a não ser a de lacre – descrito como a prova de que o Universo é moralista. E, levando-se em conta a dor do defloramento e, mais, as agruras da ovulação e do parto em comparação com a vida sexual fácil e impune do homem, também é misógino. Mas, em comparação com o que a mulher, historicamente, sofreu num mundo dominado por homens e seus terrores, o que ela sofre com a Natureza é “Caracas”. Com trocadilho.



• Crônica do livro Novas de Macho na Cozinha e Outros Ingredientes (2012, São Paulo)
http://www.rubensshirassujr.blogspot.com/

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Comentário de Silvana Suaiden em 7 março 2012 às 18:03

boa crônica e análise, Rubens. gostei da analogia com o uso da gramática. Abraços. Silvana

Comentário de Rubens Shirassu Júnior em 7 março 2012 às 21:20

Boa noite Silvana Suaiden! Li o seu elogio às 19h08, de quarta-feira, 7 de março de 2012. Obrigado por sua atenção e estímulo, mas, de minha parte, vejo que houve algum reconhecimento e respeito com as mulheres de certos continentes do mundo. Por outro lado, ainda é pouco, instituições como a igreja católica perdem a credibilidade e referencial pela máscara da mentiria e da hipocrisia, que esconde há séculos, como revela os recentes casos de pedofilia, aids entre outras coisas escabrosas que cairam nas manchetes dos meios de comunicação. Só espero que a justiça e o bom senso das autoridades e dos Poderes prevaleçam, punindo criaturas grotescas que abusam da boa fé do povo, enriquecendo e deixando pessoas doentes e cada vez mais pobres, em nome da sustentação de instituição fálida e podre.

Comentário de Silvana Suaiden em 8 março 2012 às 1:47

Certo, Rubens. Podemos falar também das Igrejas, em geral. a Católica só mais descarada quando se trata de mulher... Mas muitas coisas também vão mudando no interior das igrejas. Há mulheres que já não aceitam discursos e tratamentos que as inferiorizem ou anulem, não importa em nome de que deus os façam. Grupos de mulheres ligados a estudos de gênero, movimentos sociais e religião estão dando outra tônica. Exigem mudança e transparência.... Mas ainda é pouco, como vc diz. O que permanece de podre nas instituições ainda faz um mal danado... Que vc tenha um ótimo dia acompanhado de mulheres lutadoras e solidárias. Abçs

Comentário de Rubens Shirassu Júnior em 8 março 2012 às 12:35

Bom dia, Silvana! Ter fé favorece e motiva as pessoas a viver a vida plena. O que acontece que grande parte das seitas e religiões cultivam a culpa e o medo, que derivam da filosofia judaico-cristã. Se montarmos uma rápida linha do tempo, verificaremos que o clero esteve pactuando com as elites e sempre manipulou politicamente os menos esclarecidos, reprimindo as manifestações do povo contra a elite exploradora, conforme demonstra o sociólogo Leo Huberman em sua História da Riqueza do Homem. Como tão bem complementa o raciocínio o filósofo alemão Nietzsche: "Não entro numa igreja porque não tem ar puro." Assim, acredito que religiões são perigosas. Um grande abraço! Evoé, Baco!

Comentário de Silvana Suaiden em 8 março 2012 às 13:26

De acordo, Rubens.  Religiões são perigosas; por isso mesmo é preciso conhecê-las. Abraços.

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