Portal Luis Nassif

 

 

 

 

Falta coragem e consciência de cidadania do povo,

que prefere suportar a humilhação de sentir preso em sua moradia

 

 

 

  

No caminho do apartamento para o aeroporto, fico olhando as casinhas tipicamente japonesas de Terada-cho, em Osaka, não por encanto com o estilo arquitetônico. Os olhos se fixam é nas janelas. Mesmo no térreo, a grande maioria não tem grades, apenas enormes vidraças. Dá uma baita inveja. Por que os japoneses podem escolher, por gosto pessoal, pôr ou não grades nas suas janelas, ao passo que os brasileiros são obrigados a fazê-lo sob pena de serem assaltados todo dia ou mais de uma vez por dia?

Não que a criminalidade no Japão seja desprezível. É até alta, para os padrões orientais. Mas, ainda há esse luxo de não pôr grades nas janelas. Aí, vejo o governo brasileiro preocupado com a segurança do País. Ótimo. Mas, como quase tudo no Brasil, chega tarde. Certa vez, declarou José Carlos Dias, ex-ministro da justiça, que precisou de sete meses no cargo para descobrir a gravidade da situação. Já é grave o fato de que uma autoridade que passou por cargos executivos em São Paulo, como é o caso de Dias, descobrir em 2000 o que seus conterrâneos conhecem faz tempo.

E as demais autoridades, onde estavam até agora? Se Dias levou sete meses para descobrir a gravidade da crise na área de segurança, o que dizer, então, de Fernando Henrique Cardoso, Collor, Itamar Franco, José Sarney e Lula, de governos passados?

De certo, alguns casos de mais impacto na mídia, como a morte da juíza ocorrida há pouco tempo, aguçam uma sensação generalizada de insegurança. Por outro lado, não se pode cobrar da esfera federal uma política que tenha efeito direto na melhoria da ação ordinária de repressão policial, que está a cargo dos estados. Seria mais efetivo se, em médio prazo, as autoridades federais conseguissem atingir melhores metas de desempenho no que tange a seu papel constitucional de coibir o contrabando de armas, de reprimir o tráfico de drogas e de debelar quadrilhas interestaduais que agem de modo organizado, principalmente, no que se refere à manipulação de menores em atos de tráfico de drogas, armas entre outras infrações. Reduzir a entrada de armas e de drogas já seria de grande valia na prevenção das cadeias menores de criminalidade que se instalam pelo Brasil afora.

Com relação às corporações militares e civis estaduais, em que pesem as enormes diferenças regionais, há alguns pontos que parecem comuns e que mereceriam os maiores cuidados. Ressaltam-se, nesse ponto, a dificuldade de produzir e lidar com informações sobre a criminalidade, a falta de ação integrada entre as corporações, o despreparo técnico e humano, e a corrupção.

Falta vontade política dos deputados federais, em razão de defenderem o capital, na sua maioria, interesses de grupos empresariais e grandes corporações estrangeiras. Uma reforma de extrema urgência no Estatuto do Menor e Adolescente, nos códigos Penal, Cível, Processos Penal, Civil e na área de Direito de Família, tornando as leis mais autorrealizáveis, punindo os pais ou responsáveis, com normas rigorosas e, dependendo do caso, multa de alto valor financeiro para que estes indivíduos sintam o peso, primeiro no bolso, é óbvio, em seguida na consciência, do prejuízo que causaram à sociedade. Com certeza, nada paga uma vida, o nosso bem maior.

Promover manifestações de repúdio com abaixo-assinados, em parceria com ongs, meios de comunicação, OAB, associações entre outras entidades de proteção à vida e aos direitos, para que criem e estruturem núcleos de apoio às assistentes sociais, psicólogos e aos conselhos tutelares, tornando as ações de reeducação e integração com crianças e adolescentes, mais atuantes e menos morosas e burocráticas. Outra coisa: a descentralização da Fundação Casa e dos presídios trará vários problemas sociais, econômicos, imobiliários e impasses, entre os quais, algumas indústrias temem instalar próximas a estas instituições de reeducação, assim depõe e traz uma imagem negativa para Presidente Prudente e região oeste do Estado de São Paulo.

Vale lembrar, outra vez, que segurança era uma das prioridades simbolizadas pela mão espalmada da primeira campanha de FHC. Se leva tanto tempo para formular um plano, fica fácil (e desesperador) imaginar quanto tempo vai levar para executá-lo, se o fizer. Desconfio que o Japão e suas janelas sem grades continuarão dando-me inveja.

 

 

 

*Jornalista, Escritor, Revisor de Textos e

membro da APE (Associação Prudentina de Escritores)

e-mail: shirassujr@yahoo.com

http://www.rubensshirassujr.blogspot.com/

 

 

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