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Histórias das Canções de Chico Buarque (IV)

“Olé, Olá” (1965)
Chico Buarque

Criada logo após “Pedro pedreiro”, Chico diz que essa canção é uma espécie de filha crescida da primeira.

"Acho que ela trazia uma coisa além de “Pedro pedreiro”. Eu lembro que fiquei uns três, quatro meses sem mostrar pra ninguém. Um dia, na casa do Roberto Freire, toquei e gostaram. Depois disso, comecei a ter certeza".

E, de fato, havia nela alguma coisa nova. Almir Chediak lembra-se das dificuldades que experimentou para tirar a harmonia: “Me deu um trabalho danado. Há nela uma sequência harmônica diferente de tudo, uma coisa muito original”.

Caetano Veloso conheceu Chico Buarque cantando “Olê, olá” num dos shows do Teatro Paramount, em 1965. Encantado com a melodia e a facilidade com que o compositor trabalhava a letra, copiou-a num pedaço de papel e anexou-a a uma carta encaminhada a Dedé, sua namorada, dizendo: “Conheci um cara que é a coisa mais linda”. A amizade atravessaria décadas, não sem pequenos arranhões.

Deve-se a “Olé, olá”, o estilo inconfundível do atual programa Ensaio, da TV Cultura de São Paulo. Convidado por Fernando Faro, não havia meio de fazer o cantor olhar para a frente, o que obrigou o diretor a colocar uma câmera no chão a fim de mostrar o rosto e os olhos cada vez mais famosos.




Não chore ainda não
Que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui
Pode passar e ouvir
E se ela for de samba
Há de querer ficar

Seu padre, toca o sino
Que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança
Que o samba é menino
Que a dor é tão velha
Que não pode morrer
Olé olé olé olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar
Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar

Não chore ainda não
Que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga me perdoa
Se eu insisto à toa
Mas a vida é boa
Para quem cantar

Meu pinho, toca forte
Que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida
Nem fale da morte
Tem dó da menina
Não deixa chorar
Olé olé olé olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar

Não chore ainda não
Que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
E um samba tão imenso
Que eu às vezes penso
Que o próprio tempo
Vai parar pra ouvir

Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olé olé olé olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga

Já pode chorar


FONTE:





Histórias de Canções: Chico Buarque, de Wagner Homem. São Paulo: Leya, 2009.






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Tags: histórias das canções de chico buarque

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