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Iniciativa global estuda biocombustível em escala

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV



A cooperação mundial pode permitir que muitos países produzam biocombustíveis em escala. Esse avanço, entretanto, leva cientistas a questionar se é fisicamente possível atender à demanda mundial por geração de eletricidade a partir de fontes vegetais, considerando necessidades como a alimentação humana e a preservação da natureza. As duas proposições serão alvo de estudos internacionais envolvendo pesquisadores do Brasil.

Nessa semana, foi criado o Global Sustainable Bioenergy: Feasibility and Implementation Paths – em português, Bionergia Sustentável Global: Viabilidade e Caminhos para Implementação-, iniciativa que envolve profissionais de diversas especializações com atuação no campo dos biocombustíveis. Pelo Brasil, participam do comitê organizador das reuniões do projeto Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e José Goldemberg, pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com Brito Cruz, o objetivo é pensar de forma global a expansão da produção de biocombustíveis para verificar sua viabilidade. A iniciativa não tem caráter de mercadológico, e sim científico. Ele pondera que o setor energético é delicado, e todas as questões devem ser vistas também sobre a ótica da segurança energética.

O diretor da Fapesp ressalta, ainda, que a maior parte dos estudos existentes sobre o tema é baseada em uma das faces da questão. Ora verificam os efeitos no meio ambiente - com base no volume de produção de determinado país-, ora verificam apenas uma cultura para os biocombustíveis. Os pesquisadores pretendem usar de insumo as análises já existentes para traçar um cenário mundial da expansão do energético, envolvendo os diversos elos.

O programa também pretende promover o intercâmbio de informação entre diversos países e mensurar a possibilidade do uso em escala mundial do energético, além de levantar quais as diretrizes do programa de etanol do Brasil pode ser aplicado em outras nações.

O projeto começará com reuniões em cinco regiões do mundo, a partir de novembro deste ano. Em seguida, pesquisadores, cientistas de demais envolvidos no projeto deverão avaliar a sustentabilidade de uma efetiva substituição da energia fóssil pela vegetal em nível global. A terceira etapa pretende analisar a implementação de questões técnicas, sociais, econômicas, políticas e éticas com o objetivo de desenvolver estratégias de transição para um modelo mais limpo.

As atividades começam em janeiro de 2010 e devem ser concluídas em um prazo de 24 meses. Os pesquisadores deverão buscar recursos com as agências de fomento de seus países para custear o projeto.

Volume e produção

Na corrida pelo energético verde, o Brasil deverá liderar o processo por conta do avanço de pesquisas de produção e uso de biocombustível, principalmente no etanol. Essa vantagem deverá ser avaliada em relação ao montante produzido. Estudos apontam que o país pode ampliar significativamente sua produção de etanol de forma sustentável, porém, o mesmo não acontecerá nos EUA, por exemplo, que para ampliar a escala do energético será necessário usar outra tecnologia, como o etanol de celulose, diz Cruz.

Os países buscam a nova modalidade energética para, antes de comercializar, abastecer o seu mercado interno. O mesmo movimento deve ser feito por empresas de outros setores, que devem entrar na cadeia visando garantir o seu próprio suprimento. A entrada, por exemplo, de empresas apostando maciçamente na produção de etanol da cana-de-açúcar, amplia o bagaço usado na cogeração de energia, avalia Brito.

Programa

A iniciativa foi idealizada e é liderada por três pesquisadores da área de bioenergia: Nathanael Greene, do Natural Resources Defense Council, em Nova York; Tom Richard, da Universidade Estadual da Pensilvânia; e Lee Lynd, da Thayer School of Engineering, Dartmouth College e Mascoma Corporation. Carlos Henrique de Brito Cruz e José Goldemberg participam do comitê organizador das reuniões do projeto no Brasil.

De acordo com Cruz, da Fapesp, o projeto também é importante para mostrar para as demais nações que elas também podem produzir o combustível. Mesmo em um cenário de grande produção de etanol, por exemplo. Brito não acredita que o Brasil perderá espaço para exportar o produto e tecnologias.

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Tags: FAPESP, biocombustível, energia, produção, sustentável.

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