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Jornalismo investigativo ou cumplicidade?

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Sexta-Feira, 13 de Abril de 2012

 

Jornalismo investigativo ou cumplicidade?

Venício Lima

(*) Artigo publicado originalmente na revista Teoria e Debate.


Algo de muito errado está acontecendo com a grande mídia no Brasil.

Enquanto empresários da mídia impressa ou concessionários do serviço público de radiodifusão – e seus porta-vozes – reafirmam, com certa arrogância, seu insubstituível papel de fiscalizadores da coisa (res) pública, o país toma conhecimento, através do trabalho da Polícia Federal, de evidências do envolvimento direto da própria mídia com os crimes que ela está a divulgar.

E mais: a solidariedade corporativa se manifesta de forma explícita. Por parte de empresas de mídia, quando se recusam a colocar setores de seu negócio entre os suspeitos da prática de crimes, violando assim o direito à informação do cidadão e o seu dever (dela, mídia) de informar. Por parte de jornalistas, que alegam estarem sujeitos a eventuais relacionamentos “de boa fé” com “fontes” criminosas no exercício profissional do chamado jornalismo investigativo.

Será que – na nossa história política recente – o recurso retórico ao papel de fiscalizadora da coisa (res) pública não estaria servindo de blindagem (para usar um termo de agrado da grande mídia) à indisfarçável partidarização da grande mídia e também, mais do que isso, de disfarce para crimes praticados em nome do jornalismo investigativo?

Imprensa partidária
Historiadores da imprensa periódica nos países onde ela primeiro floresceu, sobretudo Inglaterra, França e Estados Unidos, concordam que ela – ou o de mais parecido com aquilo que hoje entendemos como tal – nasceu vinculada à política e aos partidos políticos. Numa segunda fase, transformou-se em empresa comercial, financiada por anunciantes e leitores. No Brasil, as circunstâncias históricas, certamente nos diferenciam dos países citados, mas não há distinção em relação às origens políticas e partidárias da imprensa nativa.

Foi Antonio Gramsci, referindo-se à imprensa italiana do início do século 20, quem primeiro chamou a atenção para o fato de que os jornais se transformaram nos verdadeiros partidos políticos. Muitos anos depois, entre nós, Octavio Ianni chamou a mídia de “o Príncipe eletrônico”.

Apesar disso, a imprensa que passa a se autodenominar de “independente” é aquela que é financiada, sobretudo, pelos anunciantes e, ao longo do tempo, reivindica sua legitimação no princípio liberal do “mercado livre de ideias”, externo e/ou interno à própria imprensa.

No Brasil dos nossos dias, até mesmo os empresários da grande mídia admitem seu caráter partidário como, aliás, já afirmou publicamente a presidente da ANJ.

Jornalismo investigativo
O chamado “jornalismo investigativo” acabou levando a grande mídia a disputar diretamente a legitimidade da representação do interesse público, tanto em relação ao papel da Justiça – investigar, denunciar, julgar, condenar e, eventualmente, perdoar – como em relação à política institucionalizada de expressão da “opinião pública” pelos políticos profissionais eleitos e com cargo nos executivos e nos parlamentos.

Ademais, o assumido papel de oposição partidária parece estar levando setores da grande mídia a não diferenciar “jornalismo investigativo” – e/ou relação com “fontes” – e o exercício de uma prática profissional que escorrega perigosamente para o crime, sem qualquer limite ético e/ou legal.

Jornalismo investigativo e cumplicidade com práticas criminosas podem estar sendo confundidos. Vale, portanto, lembrar a afirmação de Paul Virilio: “A mídia é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra”.

Parece que, lamentavelmente, atingimos a esse perigoso e assustador limite no Brasil.

 

Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.

Para ler outras matérias bem porretas, visite o 'Carcará' - http://carcara-ivab.blogspot.com

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Comentário de Francisco Emilio Baleotti em 14 abril 2012 às 22:57

Pois é meu caro Prof. Venício! E falar em controle social, como está constitucionalmente previsto, é o mesmo que proferir o nome do demo dentro de uma igreja.

Comentário de Ariston Álvares Cardoso em 15 abril 2012 às 0:14
O Brasil, mesmo com a sua Imprensa tendo aderido ao apodrecimento moral iniciado lá para as décadas de 60/70, viveu e conviveu até a década de 90 aproximadamente, com um jornalismo investigativo que chegou a ser visto como um dos melhores já conhecidos pelo leitor brasileiro tendo como exemplo as Revistas Veja e Istoé em cujas páginas eram estampadas matérias que mereciam arquivo especial daqueles que como eu, leitor e assinante, admirava o jornalismo brasileiro escrito e televisionado, este, o espetáculo que se nos oferecia o Jornal Nacional da Globo e que desde tempos atrás nos entristece e decepciona pela maneira com que exerce o dever de informar numa lavagem cerebral que tem levado a população do país muitas vezes a acreditar em mentiras e invenções criadas com a finalidade de manter o estado de corrupção e crime organizado que a política instituiu em nosso país para conforto de uma classe de bandidos governantes ao ponto do Poder Judiciário que era dos poderes o mais respeitado e hoje o mais apodrecido reconhecidamente por alguns de seus próprios membros que não aceitaram as benesses do crime e da corrupção e sem nenhuma reserva ética correndo o grande risco de serem extremamente punidos com demissão do cargo no serviço público, indignados declaram a existencia no Judiciário de bandidos togados e a citada Imprensa que pensava na liderança nacional do Sistema de apodrecimento moral para favorecimento aos seus jornalistas mau caráter, nunca prevendo que o Brasil dono da riqueza que eles tanto perseguia, um país importante demais para cair em situações desgraçadas, fosse reagir a essa ameaça que já se anunciava sacramentada e assim, diante do grande poder da corrupção e crime organizado que impera em nosso país, acredito que essa luta do bem contra o mal, com grandes dificuldades e sacrifícios será vencida e as próximas formações dos Poderes da República não mais contarão com os Gilmar Dantas e tantos outros amigos da corrupção e do crime organizado e inimigos da pátria.

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