1 - Domínio dos fatos e a falácia do fatiamento: O fatiamento serviu não para clarear os fatos, mas para repetir a exastão que "o governo Lula funcionou com um Congresso comprado para nele votar" (digo eu - não comprovado nos autos.) Mas o que foi comprovado foi o pagamento de acertos anteriores sobre despesas de camapanha (e isto sem dúvida foi um ato de corrupção). O STF pareceu querer a criminalização de Lula e de todo o Congresso. Mas não tiveram coragem de peitar esta empreitada. Sabiam que neste caso "provas tênues, interpetações elasticas, domínio do fato" seria pouco e criaria uma crise institucional, semelhante a era Jango, que resultou no golpe militar.
2 - Quando Lewandowski disse que poderia ser até Dirceu, mas isto não estava nos autos, Marco Aurélio apressou-se a perguntar: "Então o mandante não está nos autos"? A quem se referia Marco Aurélio. Afinal havia uma concordância de uma estrutura destinada a cumprir compromissos com aliados políticos, assumidos antes pelo PT com a base aliada, que envolvia o pagamento de despesas de camapanha. E houve o claro envolvimento de Delúbio e os pagamentos combinados. Isto ficou comprovado. Mas ninguém de fato poderia adimitir esta autonomia de Delúbio. Se era acerto partidário porque a Executiva do PT, assim como a Executiva de todos os partidos aliados não foram responsabilizados. Como se constroi a responsabilização do "Domínio dos Fatos".
3 - Mas havendo corrompidos era preciso identificar os corruptores. Delúbio sozinho não tinha este poder. Então é montada uma história, que tendo como base as ações de rotina de um Chefe de Gabinete, tratou-se de tranformar esta rotina em crime. Nunca ficou demonstrado inúmeras reuniões entre Dirceu e Valério, nem qualquer suposta intimidade entre os dois. A tal viagem a Portugal, gravíssima por sinal, envolveu personagens (Dantas e outros) que os juizes, fora Lewandowski, insistem em ignorar. A parceria Valério-Dantas construida ou aprofundada no período FHC nunca foi aprofundada. Nunca foi aprofundada porque esta sim era verdadeira quadrilha que atuava à moda de Cachoeira no Brasil. Dantas uma vez preso ganhou liberdade duas vezes nas mãos de Gilmar Mendes. Além do PT e sua base aliada a quem mais beneficiou esta quadrilha? Esta sim é a questão que não está nos autos. E por falta de outro condena-se o Dirceu.
4 - Alguns dirigentes do PT cometeram o erro de achar que as alianças políticas podiam se dar da mesma forma como foi durante toda a história da República. Não podia. Esta forma (sem dúvida corrupta) é exclusividade da elite brasileira, porque quem sempre alimentou os grandes caixas de camapanha foi quem tem dinheiro - bancos, empreiteiras, indústrias de vários setores etc. O povo pobre - é de fato pobre - não tem dinheiro e não financia nada. Mas este povo, sem dúvida, identifica seus verdadeiros líderes, como é o caso do presidente Lula.
5 - Partidos ideológicos como o PT não são ideológico por conta de meia dúzia de dirigentes. Mas pela opção ideológica de sua base social. O senhores ministros do STF tomem cuidado quando se referirem a este partido. O PT não está sendo julgado, mas sim alguns pouquíssimos dos seus ex-dirigentes. Sou do PT, vivo de um salário miserável de professor, não tenho patrimônio e não vou tolerar ser acharcado por quem quer que seja. Então menos senhores juizes. Usem o vernáculo adequado quando se referirem ao PT. Nesta trama toda quatro ou cinco militantes do PT foram criminalizados. Então sem generalizações. Isto não vou adimitir, porque aí trata-se de crime de injúria.
Frederico Drummond - professor de filosofia.
Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!
Entrar em Portal Luis Nassif