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LUCIANO FERREIRA ALVARES -
alvares.luciano@ig.com.br

Texto base de O’ Henry: “O presente dos Reis Magos.”



De uma maneira bem criativa o conto retrata a formação de novos valores (diga-se perversos) que vêm se instalando em nossa sociedade, onde a procura da felicidade atinge ações que beiram ao absurdo “Quer comprar meu cabelo? Perguntou Della”.

Em um mundo de desafios permanentes à nossa dignidade e seriedade, a vida é vista como uma feira onde tudo pode ser comercializado, inclusive nosso cabelo.

Della e Jim são personagens e, ao mesmo tempo, vítimas de uma contradição criada por um sistema capitalista que desumaniza o ser e humaniza a mercadoria; os chamados seres humanos apegam-se às exterioridades e abandonam as interioridades; o visível impera sobre o inteligível “com aquela corrente no relógio, Jim não precisaria envergonhar-se de mostrar as horas fosse a quem fosse”.

A medíocre tarefa de presentear devido a sujeição a datas festivas criadas como o natal, tornou árduo o trabalho de sorrir de Della e Jim. Felicidade por bens materiais a qualquer preço, eis o novo princípio humano.

Mostra-se também através deste relato a ingenuidade dos personagens. Devido à tamanha generosidade de um com o outro (a excessiva preocupação em presentear).

Este ato generoso revela uma característica que funciona como um veneno mortal, visto que os afasta do realmente importa. A verdadeira felicidade para eles vai se tornado inatingível. Hoje o maior negócio humano é a criação de mazelas sociais e o dinheiro de tornou com unanimidade o “ser do mundo”. Della e Jim ajudam a confirmar tal (mal) prognóstico.

Há ausência e a presença do dinheiro em suas vidas provocou todo esse episódio crônico e irônico, em que, perante a realidade de uma condição social miserável ao qual estão sujeitos, desenvolvem meios inglórios de satisfazerem o outro e a si mesmo, mera ilusão! E o mundo contemporâneo está repleto de casos semelhantes a esse.

Ora, o que se vê muito facilmente por aí, principalmente em datas festivas, é um exército de pessoas correndo desesperadamente as lojas, de preferência aquelas do shopping centers. Este monumento urbano tornou-se um ponto estratégico de estímulo às vendas, uma autêntica referência capitalista, um símbolo da alienação no consumo.

Assim, pela inocente vontade de fazer o companheiro sorrir, Della e Jim desempenharam com eficácia o papel de indivíduos consumidores, deram tudo o que tinham para comprar, fizeram o capital circular, se frustraram, mas, gastaram. Adquirindo o que não necessitavam, se furtaram do que mais tinham de valor, usurparam a si mesmos.

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Tags: capitalista, consumidores, dinheiro, felicidade, ilusão

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