Portal Luis Nassif

 

 

 

Os mitos morrem

 

 

 

 

As viagens marítimas não encontraram monstros nem seres fabulosos onde os mitos afirmavam a existência perigosa deles.

 

Pensaram os viajantes: “Podemos levar nossas embarcações para mais longe!”

 

O mundo começou a ficar pequeno para atender a curiosidade humana.

 

E a temperatura? Fria, quente? Por quê?

 

Observar a frequência das estações demonstrou que a natureza operava com regularidade, e não por fúria divina, como somos ensinados pela mitologia de Zeus empunhando um raio e arremessando-o em direção aos mortais descumpridores de deveres impostos pelo Olimpo.

 

Os escravos gregos estavam na condição determinada pelos deuses, não pelos seus senhores, definiam os mitos convenientes à elite aristocrática, ciosa de descansar enquanto engabelavam os escravos com suas providenciais narrativas.

 

“A Terra é plana e navegar para suas extremidades conduzirá aos abismos!”, alertava a santa madre Igreja, com seus ensinamentos medievais.

 

Novamente, os navegadores resolveram fazer ouvidos moucos e enfrentaram o desconhecido.

 

A carnificina implantada pela civilização europeia dizimou povos e culturas em nome de um paradigma.

Varreram-se hábitos e tradições seculares dizimadas em nome do “progresso”.

 

Desencantado o mundo novamente, tivemos que buscar novas respostas.

 

“Não se pode fazer autópsia!”, sentenciava a Igreja, “pois se Deus quisesse permitir aos humanos observar o interior do corpo, nos teria criado transparentes”. E a medicina precisou ser exercida clandestinamente para não paralisar as pesquisas possibilitadoras de curas.

 

Galileu quase virou churrasco por suas conclusões sacrílegas a respeito do movimento da Terra, tida como imóvel pelo Clero, como determinavam os gregos antigos com suas ideias de perfeição do que não se movimentava e não se desgastava.

 

Em virtude de fogueiras que procuravam matar não só as bruxas, mas a curiosidade humana, o pensamento mitológico, enraizado na ignorância e frutificando arrogância por todos os lados, buscava o fim do mundo a cada milênio. Talvez imaginando afugentar o desejo de conhecimento e impedir a produção de novas formas de interpretação da realidade conflitantes com os dogmas estabelecidos como sagrados.

 

Modernamente, destituídos do CEP-Código de Endereçamento Postal do Olimpo, os prestidigitadores mágicos estão presentes em diversas arenas e, ironicamente, se servem da tecnologia para amplificar noções antiquadas e infantis.

 

É verdade que os adeptos das porções milagrosas não acabaram e são clientes devotos dos pregadores de bálsamos de placebos. Cada um se alimenta com o que quer e, principalmente, com o que pode.

 

Os porta-vozes piguianos, com gráficos em “PowerPoint”!, aparentemente construídos com base científica, mistificam e tagarelam, em aparelhos de alta definição, as profecias do mercado, entidade fantasmagórica que assombra a vida dos contemporâneos com previsões catastróficas caso não obedeçamos as ordens emanadas do deus-Capital.

 

Com suas sete cabeças, a inflação irá devorar os ímpios que recusarem a genuflexão da alta de juros. Obediente, o Banco Central, “impotente”, cumpre a sentença “irrecusável”. Não importa que 20.000 famílias de rentistas venham a sorver por mês, apenas a título de juros, o orçamento anual de 14,5 milhões de famílias que recebem o “perdulário” Bolsa-família.

 

A Bolsa-banqueiro é sagrada e o PIG reza a cartilha para lembrar qual deve ser o bom comportamento das autoridades monetárias. Caso contrário, o mundo vai acabar e os céus, incendiados pela fúria celestial, consumirão a vida no planeta.

 

Temerosos do infortúnio, os fiéis marcham aceleradamente para cumprir os desígnios.

 

Cabe aos questionadores “indisciplinados” a tarefa de sempre: contestar o “status quo”, evidenciando seus interesses e truques, suas trapaças e transgressões aos direitos da maioria.

 

Quando esta se der conta de que os arremedos de ciência econômica não passam de defesa ideológica de interesses bem particulares, aí sim, nos libertaremos das chantagens dos amestradores de tolos.

 

Exibições: 26

Tags: mitos, morrem

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Novas

Receba notícias por e-mail:

Dinheiro Vivo

Publicidade

© 2014   Criado por Luis Nassif.

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço