Revejo o meu rosto nos vários retratos:
Cada um capta algo, nenhum a totalidade
Do que fui, do que sou ainda,
a cada instante outro renovado.
Eu sei que toquei no escuro o Proibido
e conheci a Paixão e os momentos
de fogos de artifício
com todas as minhas quedas livres
a minha alma se fita no abismo,
belezas do (princípio) precipício acesas por dentro
o encontro com os Outros
Eus desdobrados de mim, além de mim,
eles que estão sempre ao meu lado
sabem a fulguração de poço sem fundo
e raspão de estrela na treva,
que atira na noite com sol sem fim.
A carne é efêmera, triste e fraca,
nada tem, perdida pela cegueira
limitada e distraída que tento animá-la,
corpo que se confunde
pela sensação incompleta
do vazio mental,
sonoterapia entre os objetos
que apenas reconhece da vida material,
recolhida em si mesma.
Mudei muitas vezes de pensamento
mas nunca de meu vinho predileto.
Deixei-me em vagos espelhos
as faces múltiplas e várias,
mas a que ninguém conhece
essa a imagem necessária,
da força heróica do sonho, cavaleiro delirante
me empurra a distantes estradas,
e estou sempre viajando
por caminhos plurais:
o que está fora se une ao que está dentro
na natureza paralela, fontes de nossa glória
e curta passagem na Terra.
© 2013 Criado por Luis Nassif.
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