Dores tristes abarcam os corações de todos os povos.
Tantos homens, cientistas, "sábios"... desgraças e fome.
Quantos devaneios, projetos, sonhos...e guerras!
Desilusões instaladas pela imperícia de uma raça, regida pelo macho, que traiu o espírito e o propósito da dicção humanitária.
Ora, pois, mercê de tal sorte, caminha o homem...
E caminhando vai, rumo a futuro aleatório, deplorável, visível e sensível desde logo.
Cá nesta época, calcula-se a desdita, resultado do amálgama da inconsistência, da intolerância e da insciência humana.
Por que, homem, tu - que deténs o poder - julga-te tão capaz de construir se só destruído tens?
Evite a guerra, a dor e a fome!
Não deixe o futuro dos povos entregue a tão triste sina.
Pense, invente!
Cultive o altruísmo. Se tal for difícil, sê lhano e honesto (isto serve a um futuro venturoso).
Renuncie ao teu orgulho, para que floresça no teu espírito a humildade, e a esperança por um futuro melhor.
Não seja tão cego e indolente, a ponto de não mais ser capaz de sentir as dores dos teus próprios irmãos.
Não és animal que segue indiferente o próprio caminho; tens nas mãos peculiar destino.
O mundo está pequeno, converteu-se em tua casa e os povos em tua família.
Esforça-te, lute!
Alimente e direcione teu espírito para a concórdia com os teus irmãos.
Nutra teus sonhos a ponto de tornar incansável a busca por um recôndito de delícias - talvez teu próprio reino - mas não o negue aos que vem atrás de ti.
Divida, perdoa!
Antes de ser compreendido procure compreender, como administrado pelo santo de Assis.
Se te julgares injustiçado e depreciado, recorde-se da lição de Hamlet a Horácio: "há mais cousas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia".
Não te aches inábil para promover a paz, a harmonia e a fartura a todos os povos;
o Universo todo conspira para que tu sejas capaz de apaziguar, transformar e construir; porém, se o peso de tal fardo tornar-te impotente, curve-te às mulheres.
Com capacidade ingênita de dar a vida, maior habilidade têm elas para falarem aos céus.
Sabedoras das suas próprias impotências - e das nossas também - rendem-se, com mais facilidade, à verdade; arredando guerras, fome, desgraças e morte.
Elas sabem quanto custa dar a vida; governando o mundo, não o entregariam à própria sorte!
Irineu Tolentino, 2001
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