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- Porque eles temem a concorrência.

- Mas, como assim? Não existe concorrência entre os meios de comunicação no Brasil?

- Claro que não, o que há é uma divisão de mercado. Em 1970, o general Carlos Meira de Mattos, publicou um ensaio na revista do Clube Militar, onde expunha os objetivos do golpe de 64. Eram nove: integração nacional, prosperidade nacional, democracia, preservação dos valores morais e espirituais da nação, paz social, independência, soberania, integridade territorial e prestígio internacional. Qual era a forma mais eficiente e barata para que a população acatasse esses objetivos? Propaganda. Não confunda com publicidade, o governo militar não estava vendendo um sonho utópico, ele estava fazendo propaganda ideológica. Para isso, precisava da contribuição dos veículos de comunicação de massa. Por isso, quase todos os veículos impressos, radiofônicos e televisivos, mostravam um país que não existia. Os que se atreviam a tirar a sujeira debaixo do tapete eram fechados ou censurados.

- O que ganhavam em troca os veículos?

- Dinheiro, muito dinheiro.

- Mas dinheiro de corrupção?

- Não necessariamente. Ganhavam dinheiro de forma direta, com publicidade oficial, ou ganhavam indiretamente, por meio de licenças e outorgas de emissoras de rádio e televisão e compra de equipamentos importados sem imposto. Acontece que essas licenças eram entregues sempre a pessoas ligadas ao governo. Isto acabou gerando uma divisão de mercado e uma relação promíscua com governo federal onde a população sempre foi deixada a margem dos processos comunicacionais no país. Prova disso é a pouca penetração da TV paga e da Internet Banda Larga.

- E isso acabou? Por isso querem o Serra?

- Ainda não acabou por completo, mas a intenções de que se acabe. Estão tentando mudar a lei das comunicações, permitindo a entrada de novas empresas na comunicação acirrando a concorrência. Estão convidando o povo a discutir a comunicação por meios das COFECOM. Estão distribuindo a verba publicitária oficial de forma equânime entre os veículos e não apenas para os grupos líderes. Estão implementando um Plano Nacional de Banda Larga que vai levar internet de alta velocidade para todo o país.

- E o Serra é contra isso tudo?

- E sim.

- Ah... Agora entendi porque a velha mídia apóia o Serra.

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Tags: economia, imprensa, mida, política

Comentário de Joaquim Onésimo Ferreira Barbosa em 20 setembro 2010 às 15:07
A verdade é que a mídia, digo, alguns jornalecos mutreteiros, revistinhas de fofocas de quinta e alguns canais de televisão sempre mamaram nas tetas do governo. Como no governo Lula o cerco se fechou contra eles, agora espirram veneno contra Dilma. José Bonifácio, o ex-todo-poderoso Boni, em entrevista ao Roda Viva, de semana passada, respondendo a perguntas de Marília Gabriela, disse que a Globo foi dada de presente a Roberto Marinho em um lencinho de papel. Boni disse que isso era comum na época em que a Globo foi presenteada. Hoje, segundo Boni, é diferente porque há órgãos que regulam isso. Boni contradiz o que o bando de Serra afirma: no governo atual, nenhum meio de comunicação teve seu direito cerceado. A mídia é livre. E creio eu, é livre mesmo, tanto que apóia Serra descaradamente. E ainda dizem que o governo reprime a mídia.

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