Quando Karl Marx disse que a religião era o ópio do povo, eu não entendia bem o que ele queria dizer. Aliás, por ser católico, eu não concordava com ele. Era absurda sua afirmação atéia. Refleti várias vezes sobre sua sentença e ainda assim não conseguia entendê-la. Com é que pode um cara tão inteligente falar tamanha besteira? Não era possível. Então, deixei sua afirmação permanecer na minha cabeça por mais tempo para, mais tarde, talvez mais amadurecido, compreendê-la.
E hoje, continuando a ser católico com muito orgulho, compreendo e concordo, nesse particular, com a sentença de Marx nos limites propostos por ela em si mesma.
Religião é pessoal (jamais universal, ainda que assim o afirme) e o fato de ser simpatizante desta ou daquela não é motivo para discordarmos de quem quer que seja porque religião não se discute, não se concorda ou se discorda. Ou se aceita pela fé ou não. Ponto. Mas como vivemos em sociedade, é preciso discutirmos COMPORTAMENTOS. Isso independe de religião, afinal, vivemos numa sociedade laica e plural, é preciso haver tolerância e convivência.
Digo isso tudo tendo na mente o episódio de Robinho e Cia. ao recusarem participar de evento beneficente por dar-se em instituição espírita. Isso agrediu moralmente não só as crianças e espíritas, mas todos os cidadãos do mundo. Sim, porque, como Robinho e companheiros, todo mundo tem o direito de escolher sua própria fé, o que não pode ser motivo para segregação.
Casualmente, hoje, recebi o e-mail abaixo que nos faz refletir sobre o assunto.
Como disse, sou católico, mas isso não me impede de "concordar" pontualmente com Marx e ou com o pastor evangélico autor do texto abaixo.
A religião é o ópio do povo? É. Na exata medida em que o remédio passa a ser veneno por excesso da dose.
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Excelente reflexão!!!
Parece mentira, mas foi verdade. No dia 1°/Abr/2010, o elenco do Santos atual campeão paulista de futebol foi a uma instituição que abriga trinta e quatro pessoas.
O objetivo era distribuir ovos de Páscoa para crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral.
Ocorreu que boa parte dos atletas não saiu do ônibus que os levou.
Entre estes, Robinho (26a), Neymar (18a), Ganso (21a), Fábio Costa (32a), Durval (29a), Léo (24a), Marquinhos (28a) e André (19a) – todos ídolos super-aguardados.
O motivo teria sido religioso: a instituição era o Lar Espírita Mensageiros da Luz, de Santos-SP, cujo lema é Assistência à Paralisia Cerebral Visivelmente constrangido, o técnico Dorival Jr. tentou convencer o grupo a participar da ação de caridade. Posteriormente, o Santos informou que os jogadores não entraram no local simplesmente porque não quiseram.
Dentro da instituição, os outros jogadores participaram da doação dos 600 ovos, entre eles, Felipe (22a), Edu Dracena (29a), Arouca (23a), Pará (24a) e Wesley (22a), que conversaram e brincaram com as crianças.
Eis que o escritor, conferencista e Pastor (com Pmaiúsculo) ED RENÉ KIVITZ, da Igreja Batista de Água Branca (São Paulo), fez uma análise profunda sobre o ocorrido e escreveu o texto "No Brasil, futebol é religião", que abaixo tenho o prazer de compartilhar.
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No Brasil, futebol é religião por Ed Rene Kivitz
Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa.
Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé.
A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.
Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho
Comentário de Stella Maris em 25 junho 2010 às 15:12
Comentário de Irineu Tolentino em 26 junho 2010 às 0:10
Comentário de Stella Maris em 26 junho 2010 às 19:09
Comentário de Irineu Tolentino em 27 junho 2010 às 16:10 Comentar
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