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Visibilidade máxima
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Albenísio Fonseca
Entre palavras da hora - visibilidade e velocidade.
Nos últimos 40 anos, o mundo tornou-se mais visível e veloz. As transmissões em tempo real alteraram a noção de fronteira nacional, ampliaram a capacidade dos estádios para milhões e milhões de telespectadores à distância, e refazem a própria concepção de urbanização e automobilidade.
Até o século XIX, as sociedades eram fundadas no freio. Muralhas, leis, normas, interdições.
Havia poucos meios a estimular a velocidade.
Os navios desenvolveram-se muito pouco entre a antiguidade e a era de Napoleão, por exemplo. Dispunha-se de cavalos e de pombos correio. O grande avanço, em termos de sofisticação, vai acontecer com a invenção do telégrafo ótico. A Revolução Industrial, ou Revolução dos Transportes, é que vai determinar a passagem da idade do freio para a da velocidade, como estuda o cronólogo Paul Virilio. Para ele, a era da informática é algo perigoso, nos leva à perda da noção da realidade, quebrando distâncias e territorialidades.
No osso da história, primeiro, o motor a vapor. Depois, o motor a explosão. Em seguida, o motor elétrico, que daria origem à turbina. Mais recente, o motor-foguete que permitiu ao homem escapar da atração terrestre. Através dele temos os satélites que servem à transmissão do sistema de segurança. Satelizando os homens. Com o século XX, a aeronáutica, a cosmonáutica e a informática.
Penso em Guy Debórd. Na Sociedade do Espetáculo. Hoje, a produção de visibilidade é realizada por um conjunto de setores que compõem o mercado: o sistema da moda, agências de publicidade, a mídia, a indústria solar, o trade turístico, a internet, radares, satélites, emissoras de TV, transmissões incessantes de dados, impressos, a sedução operando o fascínio de corpos femininos em profusão, capas de revista, placas de sinalização. O uso de cores, técnicas de iluminação. Um “voyeurismo” total atravessa as sociedades contemporâneas. Panóptico.
Câmeras a nos perseguir com seu olhar de Big Brother.
Tudo o que pode ser olhado a todo o momento.
Visibilidade máxima, exposição incessante.
Ser visto é mais humano que ver, dizia Dante, em 1304. O que diria diante da Evidência total destes 2008, e 9 e 10? Até onde essa estrada do tempo vai dar?
Vale o que deve ser visto imediatamente como novo fato ou série de fatos. Dados. Imagens. E quanto mais visto (consumido, em leitura ótica, se me entendem), mais controlado. Situações de mercado que tendem a expressar a ambiência mundial informatizada em que vivemos.
Vigilância total. Enquanto estivermos atentos (visualizando tudo) nada nos acontecerá. Agora, sob o signo da telemática.
Olhos de raio laser. Tudo o que é possível ver em minimalismos cibernéticos, na arte primitiva, no artesanato, na decoração, nas vitrines e, em velocidade, no outdoor, no transdoor, na placa luminosa.
A mercadoria visibilidade obedece também a uma produção de imagens incidentais. Descolagens.
O que escapa ao pré-visto. Para quem espera ver pra crer, o olho do telescópio Hubble procura por Deus no infinito. Escaneado. Videoclipe: astronauta tomando Coca-Cola e discorrendo sobre o caráter interativo dos circuitos eletrônicos. Fibras óticas processando milhões de informações (imagens, sons, textos) em nanossegundos. A vida digitalizada. Na Era da virtualidade total e da devastação do real. Fotoblogs in my space.
Cinema. Luz é mensagem em estado puro.
O Sol inventa as cores. As noites iluminadas do planeta estendem os dias. Tudo isso alterando a inteligência, ou melhor, a inteligibilidade da retina. Prazer em ver. Em Re-v-eR, na mira!
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Albenísio é jornalista, poeta e compositor
71 9912-5961
skype:albenisio33
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